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Política OPINIÃO

Ciro Gomes e a sedução pelo discurso

Um projeto político persistente.

27/06/2020 19h54 Atualizada há 1 semana
Por: Geraldo Batista Jr
Ciro Gomes em palestra em março de 2018.
Ciro Gomes em palestra em março de 2018.

Uma pessoa honesta nas suas opiniões, que acompanha os fatos políticos, não pode negar que Ciro Gomes é uma figura notória da política brasileira. Com um currículo respeitável de carreira no legislativo e no executivo, o ex-governador do Ceará tem também seus méritos como um bom comunicador de massas.

Nas últimas eleições presidenciais, Ciro surgiu como uma terceira via no processo sucessório. Segundo especulações, ele seria o único capaz de derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno. Sem querer entrar no mérito de tais conjecturas, não se sabe se Ciro Gomes seria vitorioso num segundo turno de eleições presidenciais. Ele disputou três eleições presidenciais. Em 1998, pelo PPS, obteve apenas 10,97% dos votos válidos, ficando em terceiro lugar; nas eleições de 2002, também pelo PPS, ficou em quarto lugar com 11,97% dos votos válidos e, finalmente, nas eleições de 2018, mais uma vez em terceiro lugar – desta vez com o PDT - , alcançou 12, 47% dos votos válidos. A pergunta que se faz é a seguinte: com esse histórico, Ciro é um candidato competitivo? Considerando que nunca ultrapassou 13% dos votos válidos nas eleições em que disputou? Fica no ar a pergunta, e levanta-se a hipótese para as análises políticas. Pode-se concluir que Ciro tem eleitorado aparentemente constante, e possivelmente fiel, mas enfrenta uma rejeição.

Outro questionamento que ocorre é a seguinte: por qual razão Ciro Gomes consegue ainda atrair pessoas que o defendem e são atraídas pelo seu projeto de governos? Mesmo que ele seja um político que participou de governos em que a tradição política nunca fora rompida? Que tendência há em parte dos jovens “ciristas” ao se sentirem representados por ele, como se fosse uma novidade na política, considerando que o seu discurso progressista não corresponde à história de um político que já foi governador, ministro de estado e ocupa, há tempos, espaço dentro da política que podemos chamar de “tradicional”? Em outras palavras, sendo progressista, ou não se não fosse, Ciro Gomes é um político tradicional.

O que pode ser sedutor para o seus apoiadores é a inteligibilidade, compreensão, de um discurso que promete reformas importantes que, embora de difícil exequibilidade, atraem por veicular o desejo por um “país melhor”. O discurso é sedutor, mas a realidade é bem diferente. A adesão por parte do séquito de Ciro ao seu discurso é revelador: mesmo os mais jovens são seduzidos pelo apelo emotivo em discursos políticos. Algo corriqueiro no eleitorado brasileiro. Os mais jovens agem como agiam os seus ancestrais. E um bom orador que comove as massas é confundido com bom gestor. Isso é inevitável em política. A sua mística não dispensa o carisma.

E se analisarmos o modelo de gestão de Ciro Gomes e de seus parentes na sua base eleitoral de origem, podemos afirmar que ele seria um bom presidente? O estado do Ceará, no âmbito da administração pública, é um modelo a ser adotado pelo Brasil? O estado do Ceará é um modelo de desenvolvimento? Ciro Gomes conseguiu, no que foi possível, aplicar parte de seu programa presidencial no Estado do Ceará? Ou seja, o que pesa mais, em termos qualitativos,  num pretendente à presidência da República? É o seu discurso, ou sua prática política? E quanto ao seu comportamento impulsivo? Quanto a isto, não cabe aqui fazer julgamento. E não se pode estabelecer que as reações comportamentais de determinada pessoa seja critério para ocupação de cargo eletivo, pois cada situação que afeta emocionalmente uma pessoa deve ser avaliada de modo responsável.

Importa ainda saber que não é pressuposto para ocupação da Presidência que o candidato tenha sido prefeito ou governador, que tenha, portanto, ocupado cargos executivos. No entanto, se determinada pessoa pretende se qualificar pelo seu histórico, creio que a sua experiência e suas realizações devem ser levadas em conta. Portanto jovens, não ajam “como vossos pais”: não se deixem seduzir apenas pelos discursos. Avaliem os discursos, propostas, e se for o caso, julgue o seu “ídolo” pelo que fez na política. A política brasileira precisa de novos políticos, sejam jovens ou idosos, mas que não sejam “tradicionalmente velhos” no modo de fazer política.

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Geraldo Batista Jr
Sobre Geraldo Batista Jr
Bacharel e mestre em Direito - Professor Universitário, Radialista - DRT 880/95, atuou por várias emissoras de Sousa e região. Por meio deste espaço, comentará os mais diversos assuntos palpitantes do nosso cotidiano.
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