Domingo, 16 de Janeiro de 2022
33°

Pancada de chuva

Sousa - PB

Política OPINIÃO

"Como Jair Bolsonaro foi eleito"?

Será que a rachadinha e as “fakes news” contribuíram para isso?

20/06/2020 às 19h01 Atualizada em 21/06/2020 às 11h16
Por: Geraldo Batista Jr
Compartilhe:
Queiroz ao lado do agora senador Flavio Bolsonaro
Queiroz ao lado do agora senador Flavio Bolsonaro

Muitos oposicionistas ao Presidente da República, e analistas políticos, ainda não se deram conta de que eles podem estar fazendo análises equivocadas a partir do ponto de reflexão em que se encontram.

Ainda há o questionamento geral das causas da eleição de Bolsonaro, seja pela sua ascensão surpreendente, ou pela incredulidade sobre os métodos de campanha eleitoral, com a alegação de que o presidente foi favorecido pelas notícias falsas - fake news. E claro, as dúvidas sobre a campanha eleitoral do Presidente da República ter sido mantida com poucos  recursos. Enfim, são muitas conjecturas que surgem entre os políticos e analistas políticos. É indiscutível que há uma busca incessante por meios de prova que, de alguma forma, torne ilegítima e ilegal a eleição do Presidente da República.

A declaração recente do Senador Randolfe Rodrigues, da REDE do Amapá, é sintomática no sentido tentar vincular a possível conduta ilícita do Senador Flávio Bolsonaro, filho do Presidente, com o esquema de rachadinhas (esquema em que há repasse de parte salário dos assessores a deputado, vereador, ou senador), em que a figura do Fabrício Queiroz é destaque. Fato este noticiado por toda imprensa e especulado sobre a sua ilicitude. É crime ou não a rachadinha? Seria essa prática um meio de financiamento ilícito da campanha eleitoral do Presidente da República? Foi o questionou o Senador amapaense. De todo modo, o “racha” de verbas parlamentares no Brasil, por parte de assessores com seus mandatários, é uma prática longínqua e “tradicional”.

Todas essas questões, inclusive a possível contribuição das fake news para a eleição presidencial, são paralelas em relação a outros fatores que possivelmente contribuíram com a eleição presidencial.

O fato é que, quer tenha havido algum caixa ilícito para captura de recursos para a campanha eleitoral presidencial, ou que esta tenha sido beneficiada pelas notícias falsas, são estes elementos incapazes de negar outros fatores que beneficiaram a eleição presidencial de Jair Bolsonaro.

Apontar esses fatores poderia render livros escritos. Contudo, pode-se indicar que os políticos ainda não se tocaram que um dos responsáveis pela ascensão de Bolsonaro foi a própria esquerda que estava alicerçando, através do poder, uma política hegemônica, em que muitos segmentos sentiam-se excluídos desse processo. A imposição ideológica em muitos setores sociais estava incomodando grande parte da população. Além, claro, do envolvimento dos governos anteriores com a corrupção. Mesmo que o combate à corrupção não esteja ainda sendo completamente eficaz, o fato é que a bandeira de combate à corrupção atraiu eleitores que rejeitavam a "tradicional" política.

Mesmo assim, o “fenômeno eleitoral Bolsonaro” não foi aceito sem muita resistência. Para muitos, Bolsonaro só poderia ter chegado à Presidência por meio de fraude, conforme é a tradição política brasileira. Vamos acompanhar todo esse processo sem paixão, atentos ao posicionamento das autoridades que devem apurar todos os fatos que possam comprometer a legalidade das últimas eleições presidenciais. Porém, é importante verificar a transparência do próprio processo eleitoral no TSE que deverá julgar a eleição de Bolsonaro, como verificar se o caso Queiroz tem implicação com a eleição presidencial.

Em tempo: fake news – notícia falsa -não é novidade na política. Querem um exemplo? Nas eleições presidenciais de 2006, Lula disse, em várias oportunidades, que “quando o meu adversário (se referindo ao candidato à presidência Geraldo Alckmin - PSDB) diz que vai reduzir gastos correntes, isso quer dizer que ele vai demitir funcionários públicos e não vai mais fazer concursos públicos”.

O adversário de Lula não apresentou nenhum plano para demissão/exoneração de funcionários e muito menos falou em que não faria mais concurso público. Quer dizer, Lula inventou uma história, fake news, embora não tenha sido disseminada pelas redes sociais.

Mas, nas últimas semanas das eleições, essa ideia do Lula se propagou na boca do povo. E como Geraldo Alckmin não se defendeu, o discurso de Lula "colou" no imaginário popular. Para um eleitorado, em grande parte, dependente do Estado, demissão de funcionários públicos e não realização de concursos públicos seria o fim. Inegavelmente Lula foi bastante beneficiado com essa “história”.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Geraldo Batista Jr
Geraldo Batista Jr
Sobre Bacharel e mestre em Direito - Professor Universitário, Radialista - DRT 880/95, atuou por várias emissoras de Sousa e região. Por meio deste espaço, comentará os mais diversos assuntos palpitantes do nosso cotidiano.
Sousa - PB Atualizado às 15h37 - Fonte: ClimaTempo
33°
Pancada de chuva

Mín. 22° Máx. 33°

Seg 34°C 23°C
Ter 33°C 22°C
Qua 34°C 22°C
Qui 35°C 22°C
Sex 34°C 22°C
Horóscopo
Áries
Touro
Gêmeos
Câncer
Leão
Virgem
Libra
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes