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TCE-PB identifica indícios de irregularidades milionárias na gestão de 2024 em São José da Lagoa Tapada

O documento, divulgado pelo órgão de controle, determina a citação dos ex-gestores para apresentação de defesa.

Por: Redação Fonte: Da Redação do Debate Paraíba
10/12/2025 às 11h25
TCE-PB identifica indícios de irregularidades milionárias na gestão de 2024 em São José da Lagoa Tapada
O documento, divulgado pelo órgão de controle, determina a citação dos ex-gestores para apresentação de defesa. (Foto: Debate paraíba).

Um relatório de auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) concluiu pela procedência de uma denúncia apresentada contra o ex-prefeito de São José da Lagoa Tapada, Cláudio Antônio Marques de Sousa, e o ex-secretário de Finanças, Julierme Lino de Sousa, sobre supostas irregularidades ocorridas no exercício financeiro de 2024. O documento, divulgado pelo órgão de controle, determina a citação dos ex-gestores para apresentação de defesa.

A denúncia foi protocolada por Evilásio Formiga Lucena Neto e admitida pela Ouvidoria do TCE com base na Resolução RN-TC 07/2024. A auditoria examinou documentos contábeis, extratos bancários do sistema Sagres e informações coletadas durante diligência presencial realizada no município.

Segundo o relatório, uma auditoria interna da atual gestão municipal já havia identificado um suposto desfalque superior a R$ 8 milhões, valor significativamente maior que os R$ 1,3 milhão comunicados pelo ex-prefeito em boletim de ocorrência.

A equipe técnica do TCE-PB confirmou indícios de:

  • Manipulação de extratos bancários, incluindo possíveis falsificações;

  • Transferências irregulares envolvendo contas do Fundeb, IPTU, folha de pagamento e Fundo Municipal de Saúde;

  • Uso de extratos adulterados para ocultar beneficiários reais, entre eles o ex-secretário Julierme Lino, sua mãe Maria do Desterro, e a empresa Arena São José Esporte e Convivência Ltda.

A auditoria também aponta que a gestão anterior não apresentou documentação essencial, como balancetes, conciliações bancárias e dados exigidos no processo de transição. A ausência de informações comprometeria a confiabilidade do material encaminhado ao TCE.

O relatório ainda considera “inverossímil” a alegação de desconhecimento dos fatos por parte do ex-prefeito, citando a materialidade das movimentações financeiras e sua condição de ordenador de despesas.

Os auditores consolidaram três grupos principais de irregularidades, somando R$ 7.113.693,12 em possíveis danos aos cofres públicos:

1. Ausência de comprovação de despesas – R$ 1.744.804,35

Inclui pagamentos sem notas fiscais ou documentos válidos, entre eles:

  • GJT Soares EIRELI – R$ 738 mil

  • Ativa Laboratório Criativos Educacionais – R$ 675 mil

  • Outros fornecedores – R$ 331 mil

2. Desvios com manipulação de comprovantes – R$ 5.187.097,32

Valores retirados de diferentes contas da prefeitura, incluindo:

  • IPTU – R$ 2,2 milhões

  • Portal da Construção – R$ 1,4 milhão

  • Fundo Municipal de Saúde e FMS Invest – R$ 1,37 milhão

  • Recursos de emendas – R$ 80 mil

3. Irregularidades na folha de pagamento – R$ 181.791,45

Apontando:

  • Retenções não repassadas

  • Pessoas recebendo fora da folha

  • Entradas financeiras sem origem definida


Encaminhamento ao Ministério Público

Para o TCE-PB, os achados configuram graves violações às normas de Direito Financeiro, com indícios de peculato, falsidade ideológica e falsificação de documentos públicos.

O relatório recomenda o envio de cópia ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) para análise e adoção das medidas cabíveis.

O documento é assinado pelos auditores Dalton José dos Anjos Silva e Plácido Cesar Paiva Martins Junior, e revisado pelo relator, Conselheiro Substituto Renato Sérgio Santiago Melo.

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