
Na política de São José da Lagoa Tapada, o que já era visto como instabilidade virou praticamente um espetáculo de malabarismo. Cláudio Antônio Marques, o Coloral, mais uma vez demonstrou que fidelidade política nunca foi seu forte — e que o eleitor, definitivamente, não parece fazer parte das suas prioridades.

Em novembro de 2024, Coloral anunciou em alto e bom som o rompimento com o deputado estadual Júnior Araújo. Chamou de “desalinhamento político”, pregou que cada um seguiria seu caminho e ainda reforçou que Wilson Filho seria o novo aliado do seu grupo. Um discurso bonito, alinhado, cheio de convicção… mas com prazo de validade curto.
Nos bastidores, porém, a história era outra. As informações davam conta de que o rompimento tinha menos a ver com ideologia e mais com conveniência: disputas locais, manutenção de aliados empregados no Estado e até uma “gratificação generosa” recebida ao reassumir funções no governo estadual, em janeiro de 2025. Tudo isso enquanto Júnior Araújo também atravessava seus próprios conflitos com o governador João Azevêdo.
Mas eis que a política paraibana gira rápido. João e Júnior, antes distantes, voltaram a se alinhar. Coloral, por sua vez, teria perdido a tal gratificação e viu sua influência se esvair junto ao governo estadual. Para completar, notou a aproximação entre o prefeito Neto de Coraci e o governador, articulada pelo deputado Chico Mendes — o que colocava seu aliado Wilson Filho em posição frágil.
A solução? Mais um pulo político. Coloral abandonou Wilson Filho sem cerimônia e, como quem volta para casa depois de um passeio mal planejado, reapareceu ao lado de Júnior Araújo nesta quinta-feira (5), exatamente um ano após tê-lo “traído politicamente”. Tudo isso sem sequer consultar os poucos eleitores que ainda insistem em acompanhá-lo.
Ao lado dos vereadores Jair e Maria de Deca, o ex-prefeito fez de conta que nada aconteceu. Júnior, por sua vez, agradeceu o “sempre prefeito Coloral” e reforçou o discurso de união e compromisso — palavras bonitas que o tempo, inevitavelmente, colocará à prova.
A política em São José parece viver uma espécie de looping: promessas, rompimentos, reencontros, justificativas arrumadas às pressas e, claro, o eleitor assistindo tudo como espectador de um circo que não muda, apenas troca de números.
Coloral hoje é o símbolo máximo dessa coreografia caótica: pula de um lado para outro ao sabor do vento político, como uma pipoquinha estourando sem direção. O problema não é mudar de opinião — isso faz parte da democracia. O problema é mudar sempre, mudar rápido e mudar sem coerência, deixando claro que o único projeto realmente sólido é o da autopreservação.
No fim das contas, a pergunta que permanece é simples: quem Coloral representa além de si mesmo?