
Enquanto Sousa segue presa ao tradicional embate entre situação e oposição — uma rivalidade que mais parece a mistura impossível entre gasolina e água — Cajazeiras ensina à região que maturidade política e união acima das divergências pessoais ainda são caminhos viáveis para garantir representatividade e resultados concretos.
Nos últimos dias, a terra de Padre Rolim protagonizou um raro e robusto movimento de convergência política. Figuras que estiveram em lados opostos na disputa municipal de 2024 decidiram deixar mágoas e vaidades para trás e se reuniram em torno de um mesmo projeto para 2026. Já em Sousa, o cenário segue o oposto: lideranças divididas, projetos desalinhados e a eterna disputa por protagonismo que, historicamente, tem custado caro ao município.
Cajazeiras repete o cenário de 2022: união acima das diferenças
O domingo (30) marcou uma virada estratégica na política cajazeirense. Em apenas algumas horas, o governador João Azevêdo recebeu:
Três lideranças que, há pouco tempo, matinha diferenças com o Governador João Azevedo e seus aliados, agora convergem em um único palanque para 2026 — o mesmo palanque que deverá apoiar Lucas Ribeiro para o Governo do Estado e João Azevêdo e Nabor Wanderley para o Senado.
A articulação conduzida pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro consolidou um dos movimentos políticos mais significativos do Sertão nos últimos anos: adversários históricos novamente unificados em torno de um projeto estadual, repetindo a lógica que, em 2022, garantiu a João Azevêdo 75,7% dos votos em Cajazeiras.
A força dessa união é evidente: naquele pleito, Cajazeiras conseguiu eleger três deputados estaduais — Júnior Araújo, Dr. Paula e Chico Mendes — enquanto Sousa, mais uma vez fragmentada, não conseguiu eleger sequer um representante.
Sousa permanece dividida — e paga o preço
Em Sousa, o cenário não apenas destoa: preocupa.
A oposição liderada por André Gadelha (MDB) caminha em uma direção, apoiando a pré-candidatura de Cícero Lucena ao governo e de Veneziano ao Senado. Já o grupo de situação, comandado por Helder Carvalho, segue fiel ao governador João Azevêdo e à candidatura de Lucas Ribeiro.
O problema não é ter lados diferentes. O problema é que Sousa parece incapaz de construir consensos mínimos quando o assunto é representatividade no plano estadual.
Enquanto Cajazeiras se organiza e se junta pensando no futuro, em mais espaço na Assembleia e em projetos coletivos, em Sousa prevalece: o personalismo, a disputa de ego e e a incapacidade de construir pontes.
Essa fragmentação reiterada explica por que o município não elege um deputado estadual desde 2014, quando Lindolfo Pires e Renato Gadelha conquistaram mandato. De lá pra cá, a cidade é refém do voto dividido e da falta de projeto conjunto.
Resultado? Sousa perde força política. Perde recursos. Perde protagonismo. E perde, principalmente, a chance de decidir seus próprios rumos no Estado.
Cajazeiras compreendeu o jogo. Sousa ainda não.
A união recente entre Corrinha Delfino, Zé Aldemir, Chico Mendes, Dra. Paula, Denize, Carlos Antônio, Pablo Leitão e os 15 vereadores de Cajazeiras não é apenas simbólica. É estratégica. É inteligente. É o reconhecimento de que: eleições passam, mas os interesses da cidade permanecem.”
Sousa, por outro lado, insiste em priorizar feridas pessoais, projetos individuais e disputas que não levam a lugar nenhum.
Não há mistério: quem joga unido, ganha. Quem se divide, perde. Sempre.
E hoje, a pergunta que ecoa é simples:
Quem está jogando certo: Sousa ou Cajazeiras?
Acho que os fatos falam por si.