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São José da Lagoa Tapada: Licitação de R$ 5,5 milhões na gestão do ex-prefeito “Coloral” é alvo de parecer contundente do Ministério Público de Contas

O parecer do procurador Manoel Antônio dos Santos Neto é categórico ao apontar fortes indícios de fraude, favorecimento e sobrepreço.

Por: Redação Fonte: Da Redação do Debate Paraíba
08/09/2025 às 19h10 Atualizada em 12/09/2025 às 11h15
São José da Lagoa Tapada: Licitação de R$ 5,5 milhões na gestão do ex-prefeito “Coloral” é alvo de parecer contundente do Ministério Público de Contas
O parecer do procurador Manoel Antônio dos Santos Neto é categórico ao apontar fortes indícios de fraude, favorecimento e sobrepreço. (Foto: Debate Paraíba).

Um parecer técnico do Ministério Público de Contas junto ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) lança uma sombra sobre a lisura da gestão do ex-prefeito de São José da Lagoa Tapada, Cláudio Antônio Marques de Sousa, mais conhecido como "Coloral". O documento confirma a procedência de denúncias sobre graves irregularidades no Pregão Eletrônico nº 3/2024, que envolveu um contrato vultoso de R$ 5,5 milhões para a terceirização de mão de obra.

A empresa beneficiada foi a GJT Serviços & Locação Ltda., velha conhecida da administração municipal. Desde 2019, a prestadora já vinha operando contratos com a prefeitura, inicialmente no valor de R$ 1,3 milhão, mas que, por meio de aditivos questionáveis, chegou a ultrapassar os R$ 2,1 milhões. O novo certame praticamente triplicou os valores e ampliou para 101 os postos de trabalho terceirizados – tudo isso em um ano eleitoral, sem que houvesse planejamento prévio ou justificativa plausível.

O parecer do procurador Manoel Antônio dos Santos Neto é categórico ao apontar fortes indícios de fraude, favorecimento e sobrepreço. Entre os pontos mais alarmantes, destacam-se:

  • Favorecimento da empresa contratada por meio da prática conhecida como "coelho", em que empresas de fachada são usadas para simular concorrência.

  • Criação artificial de 101 vagas, mesmo com contrato anterior ainda vigente.

  • Reajustes abusivos em cargos básicos, como o de eletricista, cujo custo praticamente dobrou em relação ao contrato anterior.

  • Atestados de capacidade técnica forjados, emitidos por empresas ligadas a familiares dos donos de fato da GJT.

  • Funcionários sem carteira assinada, ausência de repasse de benefícios, e indícios de apropriação indevida de verbas trabalhistas e previdenciárias.

  • Pagamentos por postos fantasmas, ou seja, vagas que não estavam efetivamente ocupadas, mas que geravam despesas ao erário.

  • Ausência do Plano de Contratações Anual, exigido pela nova Lei de Licitações (14.133/2021), o que reforça o caráter improvisado – ou intencionalmente nebuloso – do processo.

Oportunismo eleitoral e rombo previdenciário

Para o Ministério Público de Contas, a gestão de Coloral fez uso político dos contratos temporários, inflando a folha de pagamento às vésperas das eleições. A consequência imediata disso é o desvio de recursos que deveriam fortalecer o regime próprio de previdência, hoje fragilizado pela terceirização indiscriminada.

O quadro traçado pelo parecer é mais do que preocupante: é escandaloso. Mostra uma máquina pública utilizada para alimentar interesses privados e, possivelmente, eleitorais. E tudo sob o manto de uma licitação que, embora formalmente legal, se revela moralmente questionável e tecnicamente viciada.

O processo foi incluído na pauta da Sessão nº 3052 da 1ª Câmara do TCE-PB, marcada para o dia 25 de setembro de 2025. Os intimados incluem o ex-prefeito Cláudio Antônio, representantes da empresa contratada, advogados e o próprio autor da denúncia, Luiz Paulo Sardinha Souza.

Além da aplicação de multas, o Ministério Público de Contas recomenda o encaminhamento do caso ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Eleitoral, o que pode levar à abertura de ações por improbidade administrativa, processos criminais e até repercussões eleitorais futuras.

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