
Sousa vive um impasse entre segurança pública e cultura das ruas. Enquanto a Polícia Militar intensifica a repressão a manobras perigosas, um vereador quer oficializar o 'Grau' com asfalto novo e terreno doado pela prefeitura.
Em uma sessão ordinária realizada nessa terça-feira (22), a Câmara Municipal de Sousa aprovou um requerimento que está deixando a cidade em polvorosa. O vereador Diógenes Ferreira da Silva (PSD), apresentou o requerimento nº 0250/2025, solicitando à Prefeitura Municipal de Sousa a doação de um terreno público e a construção de uma pista asfaltada exclusiva para a prática do chamado “GRAU” — manobras radicais com motocicletas, muitas vezes feitas por jovens sem capacete, sem habilitação e até menores de idade.
O requetrimento, que foi aprovado pela maioria dos parlamentares, chegou como um verdadeiro tapa na cara das ações da Polícia Militar, especialmente do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), que diariamente trava uma verdadeira guerra urbana contra motociclistas irregulares, realizando apreensões, notificações e flagrantes de imprudência extrema de motociclista praticando manobras radicais.
Entre os delitos mais comuns: motos com documentação atrasada, condutores adolescentes, ausência de capacete e, claro, a prática do próprio “grau”, considerada perigosa e ilegal. Ainda assim, o vereador Diógenes parece nadar contra a maré da segurança pública e aposta em “oficializar” uma prática marginalizada sob o argumento de oferecer um local seguro para sua realização.
Uma pista de aterrorização ou de prevenção?
Para muitos, a proposta soa como uma tentativa de legitimar a cultura do risco. “É como se estivessem premiando a ilegalidade”, desabafa um policial que preferiu não se identificar. Já para o vereador, a ideia é “retirar os jovens das ruas e oferecer um espaço adequado para a prática esportiva”.
O requerimento agora está nas mãos do Prefeito Hélder Moreira Abrantes de Carvalho e do Secretário de Infraestrutura, Marcílio Holanda de Sousa, que terão a difícil missão de decidir se vão abraçar um possivel caos ou preservar a ordem pública.
Enquanto isso, como os moradores de Sousa veem a proposta do vereador? Como uma tentativa desesperada de evitar tragédias no trânsito, ou enxergam nela um incentivo ao comportamento irresponsável que transforma avenidas em pistas de racha?
A pergunta que não quer calar: Sousa está prestes a virar a capital oficial do “grau”?