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Relatório da CPMI do INSS aponta Júnior do Peixe como peça-chave em suposto esquema bilionário

O documento recomenda indiciamento de “Júnior do Peixe”, mas foi rejeitado pela maioria da comissão.

Por: Redação Fonte: Da Redação do Debate Paraíba
30/03/2026 às 10h39
Relatório da CPMI do INSS aponta Júnior do Peixe como peça-chave em suposto esquema bilionário
O documento recomenda indiciamento de “Júnior do Peixe”, mas foi rejeitado pela maioria da comissão. (Foto: Debate Paraíba).

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS encerrou seus trabalhos após sete meses de investigação com a apresentação de um relatório que, apesar de rejeitado pela maioria dos parlamentares, traz graves acusações sobre um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos associativos ilegais em aposentadorias e pensões. Clique AQUI e confira o relatório.

O documento, elaborado pelo relator deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), aponta o paraibano Jerônimo Arlindo da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Peixe”, como um dos principais articuladores políticos do esquema.

Segundo o relatório, a organização teria atuação estruturada em diferentes núcleos — político, financeiro, administrativo e empresarial — operando por meio de Acordos de Cooperação Técnica com o INSS para viabilizar descontos indevidos em benefícios previdenciários.

De acordo com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), entre outubro de 2020 e março de 2021, período em que atuava como secretário parlamentar na Câmara dos Deputados, Júnior movimentou cerca de R$ 3,1 milhões em contas bancárias.

O valor contrasta com o salário líquido de aproximadamente R$ 3.300 recebido à época. Ainda conforme o relatório, foram identificados R$ 1,59 milhão em créditos de terceiros e R$ 1,57 milhão em transferências, padrão que, segundo os investigadores, pode indicar circulação de recursos sem origem comprovada.

As apurações apontam ainda que, entre 2015 e 2025, o volume total movimentado pelo investigado chegou a R$ 7,8 milhões — montante considerado incompatível com sua trajetória profissional como assessor legislativo e servidor público municipal.

Patrimônio declarado e contradições

Outro ponto destacado pela CPMI é a diferença entre a movimentação financeira e o patrimônio declarado. Em 2024, ao disputar a Prefeitura de Marizópolis, Júnior informou possuir bens no valor de R$ 470 mil.

Após deixar a Câmara, sua renda formal passou a ser um salário de R$ 4.300 como servidor municipal, sem registro de participação em empresas ou outras atividades econômicas que justificassem os valores movimentados.

Relação com entidade investigada

O relatório também menciona a suposta ligação de Júnior com a Conafer, entidade apontada como central no esquema. Registros indicam sua participação em eventos institucionais, o que, segundo o relator, reforçaria a proximidade com operadores do sistema investigado.

Além disso, declarações públicas do investigado negando vínculo com a entidade teriam sido contraditas por documentos e registros financeiros analisados pela comissão.

Em depoimento à CPMI, o presidente da Conafer, Carlos Roberto — preso por falso testemunho em 2025 — afirmou que Júnior recebia cerca de R$ 40 mil mensais como diretor da entidade. Outro depoente, apontado como operador financeiro, também confirmou contato com o paraibano no âmbito da instituição.

Indiciamento e desdobramentos

O relatório recomenda o indiciamento de “Júnior do Peixe” pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e advocacia administrativa. Segundo o documento, ele teria atuado para dar sustentação política ao esquema, evitando fiscalizações e mantendo contratos ativos.

Apesar das conclusões, o texto foi rejeitado pela maioria dos integrantes da CPMI. Ainda assim, o material será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), à Procuradoria-Geral da República (PGR), ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Polícia Federal.

Caberá a esses órgãos avaliar a abertura de investigações formais e eventual apresentação de denúncias com base nas informações reunidas pela comissão.

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