
O que parecia ser uma nomeação de bastidores acabou ganhando repercussão nacional e causando constrangimento político para lideranças da Paraíba. A recente designação de Jerônimo Arlindo da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Peixe”, como assessor da Secretaria de Agropecuária e Pesca da Paraíba, ocorrida no último dia 8 de agosto, foi tema de reportagem assinada pela jornalista Andreza Matais, no portal Metrópoles.
A matéria chama atenção não apenas para o histórico do novo assessor — ex-diretor da CONAFER, entidade envolvida na “Farra do INSS”, e ex-assessor do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) —, mas principalmente para sua conduta após a nomeação.
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Em um vídeo enviado ao radialista Silvano Dias, Júnior do Peixe atribui sua indicação diretamente ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e exibe suas conexões com outras figuras políticas paraibanas, como Nabor Wanderley (prefeito de Patos e pré-candidato ao Senado), o deputado estadual Jutay Meneses, e o ex-prefeito de Sousa, Fábio Tyrone.
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O tom do vídeo, considerado arrogante por adversários e até por aliados, causou mal-estar político. No trecho mais polêmico, ele desdenha do atual prefeito de Marizópolis, Lucas Braga (PSB), adversário político local:
“Vocês acham que eu, aliado do deputado Jutay Meneses; do deputado federal Hugo Motta, presidente da Câmara; que estamos trabalhando para formar uma força que dará total apoio ao deputado (Fábio) Tyrone; que também é aliado do governador (João Azevêdo, PSB); com Nabor Wanderley, que também é candidato ao Senado; que eu vou precisar de Lucas Braga?”, disparou.
A declaração repercutiu negativamente entre aliados do governo estadual e gerou críticas pela postura considerada incompatível com o cargo técnico que ocupa. Além disso, reavivou o debate sobre uso político de cargos comissionados na administração pública estadual.
A assessoria do deputado Hugo Motta ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas fontes ligadas ao Republicanos admitem que a repercussão do vídeo foi “inoportuna” e gerou desconforto nos bastidores da sigla.
Nos bastidores, o episódio é visto como um tiro no pé que pode respingar em figuras de peso no cenário político paraibano, especialmente com a aproximação das eleições municipais e a movimentação de pré-candidaturas ao Senado em 2026.