Sexta, 13 de Março de 2026
23°C 35°C
Sousa, PB
Publicidade

Júnior do Peixe movimentou R$ 3,1 milhões em seis meses enquanto recebia salário de R$ 3 mil, aponta imprensa nacional

Relatórios enviados à CPMI do INSS indicam movimentação considerada incompatível com rendimento de cargo parlamentar; investigado nega vínculo com entidade sob apuração.

Por: Redação Fonte: Da Redação do Debate Paraíba com Metrópoles
02/03/2026 às 09h58 Atualizada em 05/03/2026 às 13h20
Júnior do Peixe movimentou R$ 3,1 milhões em seis meses enquanto recebia salário de R$ 3 mil, aponta imprensa nacional
Relatórios enviados à CPMI do INSS indicam movimentação considerada incompatível com rendimento de cargo parlamentar; investigado nega vínculo com entidade sob apuração. (Foto: Reprodução do Metrópoles).

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviados à CPMI do INSS apontam que Jerônimo Arlindo da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Peixe, movimentou R$ 3,1 milhões entre outubro de 2020 e março de 2021. No período, ele exercia o cargo de assessor parlamentar no gabinete do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB).

À época, o então assessor recebia salário líquido aproximado de R$ 3,3 mil mensais, correspondente ao cargo de Secretário Parlamentar 5 (SP-05), um dos níveis mais baixos da estrutura da Câmara dos Deputados.

Segundo reportagem das jornalistas Andreza Matais e André Shalders, do portal Metrópoles, os dados financeiros indicam que, no período analisado, Júnior recebeu R$ 1.590.678,81 de terceiros e transferiu R$ 1.573.766,84 para contas de outros titulares. O volume de movimentação é considerado incompatível com os rendimentos formais do cargo.

Investigação envolve descontos no INSS

As informações constam em relatórios encaminhados à CPMI que investiga fraudes em descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entre os focos da comissão está a atuação da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Segundo a Polícia Federal, a entidade teria arrecadado cerca de R$ 800 milhões entre 2022 e 2025 por meio de descontos em benefícios previdenciários, sendo aproximadamente 90% desse montante direcionado a empresas consideradas de fachada.

Defesa e versão do citado

Em publicação nas redes sociais, em maio de 2025, Júnior do Peixe afirmou que não mantinha vínculo com a Conafer enquanto atuava como assessor parlamentar. Segundo ele, sua relação com a entidade começou apenas após solicitar exoneração da Câmara, quando assumiu o cargo de diretor de políticas públicas.

Após deixar o gabinete, declarou à Receita Federal como única fonte de renda salário de R$ 4,3 mil da Prefeitura de João Pessoa (PB). Ele não figura como sócio ou proprietário de empresas.

Nas eleições municipais de 2024, quando disputou a Prefeitura de Marizópolis (PB) pelo Republicanos, declarou R$ 470 mil em bens à Justiça Eleitoral.

Nomeações e citações na CPMI

O nome de Júnior do Peixe já havia sido mencionado durante depoimentos na CPMI do INSS. Em setembro de 2025, durante oitiva do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, seu nome foi citado. Em outubro, o relator da comissão, Alfredo Gaspar (União-AL), questionou o empresário Cícero Marcelino de Souza Santos sobre eventual relação com o ex-assessor. O empresário afirmou ter conhecido Júnior na Conafer, negando outros vínculos.

Em 9 de agosto de 2025, Júnior foi nomeado para o cargo comissionado de Assessor Técnico de Projetos (CAT-1) na Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca da Paraíba. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que sua indicação partiu de Hugo Motta e do deputado estadual Jutay Meneses (Republicanos).

Procurados pela imprensa, Júnior do Peixe e Hugo Motta não haviam se manifestado até o fechamento desta reportagem.

Leia mais: 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.