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Confira como votaram os deputados paraibanos na PEC dos Precatórios

Apenas um parlamentar votou contra a PEC que quebra o teto de gastos e dá calote em precatórios.

Por: Redação Fonte: Da Redação do Debate Paraíba, com apoio de G1
04/11/2021 às 09h46 Atualizada em 04/11/2021 às 10h34
Confira como votaram os deputados paraibanos na PEC dos Precatórios
Deputados paraibanos votaram maciçamente a favor da PEC dos Precatórios, que permite a quebra do teto de gastos e dá calote principalmente em professores (Foto: Folha Patoense)

A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada de desta quinta-feira (04), em primeiro turno, o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição que dá calote aos Precatórios.

A proposta recebeu quatro votos a mais do que precisava para ser aprovada. A PEC precisava de 308 votos e recebeu 312.

Os deputados paraibanos votaram quase que em sua totalidade. Dos 12 votos, apenas 1 votou contra – o deputado Gervásio Maia, do PSB. O deputado do PT, Frei Anastácio esteve ausente, assim como Damião Feliciado (PDT).

Confira a lista dos votos de cada parlamentar paraibano:

  • Aguinaldo Ribeiro (PP)  SIM
  • Damião Feliciano (PDT)  AUSENTE
  • Edna Henrique (PSDB)  SIM
  • Efraim Filho (DEM)  SIM
  • Frei Anastácio (PT)  AUSENTE
  • Gervásio Maia (PSB)  NÃO
  • Hugo Motta (Republicanos)  SIM
  • Julian Lemos (PSL)  SIM
  • Pedro Cunha Lima (PSDB)  SIM
  • Ruy Carneiro (PSDB) SIM
  • Wellington Roberto (PL)  SIM
  • Wilson Santiago (PTB)  SIM

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Entenda a PEC dos Precatórios:

A PEC dos Precatórios tem a proposta de adiar o pagamento de precatórios (dívidas do governo já reconhecidas pela Justiça), para viabilizar a concessão de pelo menos R$ 400 mensais para beneficiários do novo programa de distribuição de renda em ano eleitoral do governo Jair Bolsonaro, o Auxílio Brasil.

Os parlamentares ainda precisam votar os chamados destaques (sugestões pontuais de alteração no texto principal) e o segundo turno. Segundo o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), isso deve acontecer ainda nesta quinta ou na próxima terça-feira (09).

Se aprovado em segundo turno, seguirá ao Senado, onde precisará também ser aprovado em segundo turno.

Um dos pontos mais polêmicos do texto é a flexibilização do pagamento de precatórios do antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) — atual Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

A estimativa é que a dívida da União com o Fundef para o ano que vem gira em torno de R$ 16 bilhões. Parte desses recursos seria destinada aos professores, em forma de abono.

Para viabilizar a votação nesta quarta-feira (3), principalmente da oposição, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e Motta articularam uma mudança para parcelar, em três vezes, as dívidas ao Fundef — 40% em 2022, 30% em 2023 e 30% em 2024.

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A proposta

A estimativa do governo é que a PEC abra um espaço no Orçamento de 2022 de R$ 91,6 bilhões, dos quais:

  • R$ 44,6 bilhões decorrentes do limite a ser estipulado para o pagamento das dívidas judiciais do governo federal (precatórios);
  • R$ 47 bilhões gerados pela mudança no fator de correção do teto de gastos, incluída na mesma PEC.

Segundo o Ministério da Economia, o dinheiro será usado para:

  • Auxílio Brasil, que deve tomar cerca de R$ 50 bilhões dessa folga orçamentária;
  • ajuste dos benefícios vinculados ao salário mínimo;
  • elevação de outras despesas obrigatórias;
  • despesas de vacinação contra a Covid;
  • vinculações do teto aos demais poderes e subtetos.

Na avaliação de técnicos do Congresso e de deputados da oposição, o espaço aberto pela PEC também deve encorpar recursos para parlamentares no próximo ano, como o pagamento de emendas de relator, criticadas pela falta de transparência e de paridade entre os congressistas, e para o fundo eleitoral. O valor pode chegar a mais de R$ 20 bilhões.

A divisão exata do espaço liberado pela proposta no teto de gastos só será definida na votação do Orçamento de 2022.

Teto de gastos

O relatório apresentado pelo deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) altera a regra de correção do teto de gastos, regra pela qual, de um ano para outro, as despesas do governo não podem aumentar mais que a variação da inflação no período.

Atualmente, a fórmula para corrigir o teto de gastos considera a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apurado entre julho de um ano e junho do ano seguinte.

A escolha desse período se justifica porque é o dado disponível nos meses de agosto, quando o governo precisa enviar ao Congresso o projeto de Orçamento do ano seguinte.

Com a mudança proposta pela PEC, o IPCA usado na correção do teto passa a ser o índice acumulado entre janeiro e dezembro.

A regra proposta, segundo os técnicos do Congresso, é “totalmente casuística”— ou seja, foi pensada apenas para permitir gastos extras no próximo ano.

De 2023 em diante, não há qualquer garantia de que o cálculo de janeiro a dezembro seja mais vantajoso que o modelo atual. Ou seja, a mudança no período de apuração pode provocar um aperto nos orçamentos federais dos anos seguintes.

Essa mudança no cálculo também afeta o pagamento dos precatórios, já que a PEC limita a alta dessas despesas pelo mesmo índice. Pelo texto, o limite proposto é o montante pago em precatórios em 2016, ano da aprovação do teto de gastos, corrigido pela inflação.

Vacinação

Caso seja aprovada ainda esse ano, a PEC já recalcula o teto de gastos de 2021 e tem potencial para ampliar o espaço dentro do teto de gastos no Orçamento deste ano em R$ 15 bilhões.

De acordo com técnicos do Congresso, o espaço aberto esse ano seria superior a R$ 30 bilhões. Porém, o relatório limita esse reajuste a R$ 15 bilhões.

O valor seria suficiente para pagar despesas com a vacinação contra a Covid e uma ampliação no Auxílio Brasil ainda este ano — os dois gastos chegariam a cerca de R$ 12 bilhões.

O próprio relatório prevê que esse saldo deve ser usado exclusivamente para despesas da vacinação contra Covid ou "relacionadas a ações emergenciais e temporárias de caráter socioeconômico" – descrição em que se encaixa o Auxílio Brasil.

Na avaliação de técnicos, esse dispositivo pode resolver uma lacuna sobre recursos para a vacinação no ano seguinte.

Como o governo encaminhou o projeto do Orçamento de 2022 sem previsão orçamentária para os imunizantes, a medida seria uma forma de garantir os valores ainda em 2021.

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