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Vazamento de fotos íntimas e “rolo” com Porsche. As confusões do lobista Marconny Faria no DF

Três mulheres acusam o lobista da Precisa de gravar vídeos mostrando suas partes íntimas durante uma festa promovida por ele, na Asa Sul

03/09/2021 às 11h44
Por: Redação Fonte: Metrópoles
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Foto retirada do site Metrópoles
Foto retirada do site Metrópoles

Nascido e criado nas quadras 211 e 311 Sul, o lobista acusado de fugir do depoimento à CPI da Covid-19, Marconny Nunes Ribeiro Albernaz de Faria, 39 anos, sempre teve uma vida confortável. Filho de um escrevente de cartório e acostumado a circular nas altas rodas da capital, o advogado aproveitou a amizade cultivada com filhos de desembargadores federais e empresários influentes para ampliar o lobby em órgãos federais e tribunais superiores.

Festas privativas sempre estiveram na agenda do lobista influente, com bom trânsito no Ministério da Saúde, e de laços estreitos com parentes e pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Uma das noitadas comandadas por Marconny virou caso de polícia, após ele aproveitar para tirar fotos íntimas e gravar vídeos sem o consentimento de três mulheres, após todas terem consumido bebidas alcóolicas.

A festa, ocorrida em um apartamento do lobista no Bloco C da 311 Sul, em 18 de abril de 2018, contou com a participação de deputados e servidores públicos do alto escalão. Em depoimentos prestados à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), três jovens entre 24 e 26 anos contaram terem sido surpreendidas com fotos de suas partes íntimas circulando em grupos de WhatsApp. As imagens, segundo delas, foram feitas por Marconny, que usou o próprio celular.Rolo com Porsche

Figura de destaque nos palanques das manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), onde costumava discursar, o lobista também encontrava tempo para alimentar uma de suas paixões: os carros esportivos. Em novembro de 2015, Marconny voltou a ser alvo de apuração policial após confusão envolvendo a venda de uma SUV Porsche Cayenne S.

O lobista vendeu o carro de luxo para um engenheiro por meio de um contrato de compra e venda, no qual ficou acordado que o novo dono quitaria o ágio atrasado e pagaria as parcelas restantes, no valor de R$ 10,9 mil cada. No entanto, um ano após a compra, o carro foi apreendido pelo Departamento de Trânsito (Detran) em razão de débitos de IPVA e licenciamento.

O engenheiro procurou Marconny, avisando que quitaria todas as dívidas para que ele pudesse retirar o carro do pátio. Depois de pagos os débitos, o lobista retirou o veículo, mas não o devolveu ao comprador. Após registrar ocorrência, a PCDF determinou a expedição de ofício ao Detran para incluir restrição administrativa no sistema e tentar apreender o Porsche novamente.

Em dezembro de 2015, o lobista e o engenheiro voltaram juntos à delegacia informando que haviam feito um novo acordo e assinaram um distrato de instrumento particular de compra e venda do Porsche. Após a juntada dos documentos na ocorrência, a PCDF retirou a restrição do veículo.

Lobista da Precisa

O nome de Marconny voltou ao radar da CPI após a Controladoria-Geral da União ter apontado evidências de tentativa de interferência do lobista no processo de chamamento público para contratação direta de 12 milhões de testes de Covid-19, com a ajuda de Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde investigado na CPI da Covid-19, para beneficiar a empresa Precisa Medicamentos.

“As mensagens reforçam as suspeitas sobre a atuação de Roberto Dias no Ministério da Saúde e deixam claro existir de fato um mercado interno na pasta que busca facilitar compras públicas e beneficiar empresas, assim como o poder de influência da empresa Precisa Medicamentos antes da negociação da vacina Covaxin”, destacou o vice-presidente do colegiado, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), no requerimento que resultou em sua convocação para depor.

Os diálogos ainda trazem menções de Marconny a Danilo Trento, diretor da Precisa Medicamentos e sócio da empresa Primarcial Holding e Participações, e sobre a necessidade de desidratar uma empresa concorrente, chamada Bahia Farma. A Primarcial funciona no mesmo endereço da Primares Holding e Participações, que é outra empresa de Francisco Maximiano, sócio da Precisa.

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