
A Prefeitura de Nazarezinho, no Sertão da Paraíba, publicou duas licitações cujos valores praticamente se equivalem, chamando a atenção para o debate sobre a aplicação dos recursos públicos no município. Enquanto a administração prevê arrecadar R$ 183.529,40 com a concessão da folha de pagamento dos servidores municipais a uma instituição financeira, também estima investir R$ 183.990,04 na contratação de fogos de artifício para festividades ao longo de 2026.
A primeira licitação, de nº 00022/2026, tem como objetivo selecionar um banco para operar os serviços de gerenciamento e processamento da folha salarial dos servidores ativos, aposentados e pensionistas pelo prazo de 60 meses. O pregão eletrônico está marcado para o próximo dia 25 de junho.
Segundo o edital, a instituição financeira vencedora deverá pagar à Prefeitura, em parcela única, o valor mínimo de R$ 183.529,40 pelo direito de administrar a movimentação financeira da folha. Atualmente, a folha mensal da Prefeitura e do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais (IPRESMUN) soma cerca de R$ 1,98 milhão, abrangendo 580 vínculos entre servidores efetivos, contratados, comissionados, aposentados, pensionistas e agentes políticos.
Já a segunda licitação, de nº 00023/2026, prevê a contratação de empresa especializada para o fornecimento parcelado de fogos de artifício destinados às festividades tradicionais promovidas pelo município. O certame está previsto para ocorrer no dia 15 de junho.
O processo contempla a aquisição de 118 tipos diferentes de materiais pirotécnicos, incluindo girândolas, kits de efeitos especiais e tortas de múltiplas cores e tamanhos. A Prefeitura argumenta que os fogos são parte importante das celebrações culturais locais e contribuem para atrair público aos eventos promovidos pela administração municipal.
A coincidência entre os valores das duas licitações repercute em meio às discussões sobre prioridades administrativas em municípios de pequeno porte. Enquanto a venda da folha de pagamento representa uma oportunidade de geração de receita para os cofres públicos, o investimento em fogos de artifício levanta questionamentos sobre a destinação dos recursos diante de outras demandas da população.
Até o momento, a Prefeitura de Nazarezinho sustenta que ambos os processos seguem critérios legais e atendem a necessidades distintas da administração pública, tanto na gestão financeira quanto na promoção de eventos culturais.