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IA amplia risco de ataques invisíveis em megaeventos

Segundo o especialista, advogado e professor José de Souza Junior, fraudes digitais já ameaçam a segurança de autoridades, marcas e organizações, e...

Por: Redação Fonte: Agência Dino
28/05/2026 às 19h37
IA amplia risco de ataques invisíveis em megaeventos
Divulgação Grupo RG Eventos/José de Souza Junior

O avanço da inteligência artificial generativa vem transformando fóruns diplomáticos, conferências internacionais e grandes eventos corporativos em novos alvos de ataques invisíveis. Tecnologias como deepfakes, clonagem de voz e phishing hiper-realista passaram a ameaçar diretamente a segurança de autoridades, marcas e organizações, exigindo novas estratégias de proteção digital em ambientes temporários e altamente conectados.

Informações de um relatório da Fortinet, divulgadas pelo jornal O Tempo, revelam que os brasileiros são alvo de 1,4 milhão de ataques cibernéticos por minuto, enquanto os malwares cresceram mais de 500% em 2026. O cenário se soma a dados da Sumsub divulgados pelo Canaltech, que apontam crescimento de 126% nas fraudes com deepfake no Brasil nos últimos dois anos, tornando o país responsável por quase 39% dos ataques na América Latina.

De acordo com José de Souza Junior, advogado e professor especialista em cibersegurança e diretor jurídico do Grupo RG Eventos, a velocidade com que as ameaças são difundidas mudou radicalmente a dinâmica de segurança digital dos megaeventos. “Antes, um ataque de engenharia social dependia de semanas de estudo humano. Hoje, a IA processa dados públicos de redes sociais e comunicados oficiais em segundos para criar uma abordagem quase infalível. Em um ambiente de pressão como um evento internacional, a falha humana torna-se o elo mais frágil”, explica.

Um dos pontos mais sensíveis apontados pelo especialista é a clonagem de voz para ataques de ‘vishing’. “Há casos em que criminosos utilizam amostras de áudio de autoridades que participaram de palestras anteriores para solicitar acessos privilegiados ou alterações em protocolos de segurança. Além disso, em eventos nos quais autoridades participam via streaming, a possibilidade de inserção de vídeos manipulados em tempo real tornou-se uma preocupação de segurança nacional”, ressalta.

Ele alerta ainda que a manipulação de um discurso de um chefe de Estado durante uma conferência internacional, por exemplo, pode desencadear crises diplomáticas e oscilações violentas no mercado financeiro antes mesmo que a fraude seja detectada.

Dados do Observatório Lupa, publicados pela Forbes, reforçam a tendência: conteúdos falsos criados com IA cresceram 308% entre 2024 e 2025 no Brasil. Enquanto em 2024 a tecnologia era usada principalmente em golpes digitais, em 2025 quase 45% dos conteúdos tinham viés político, mostrando que a manipulação passou a ser também uma arma ideológica.

Junior afirma que a resposta para esse cenário não se resume apenas a softwares robustos, mas a uma arquitetura de monitoramento constante. “Não basta ter um antivírus. É necessário um SOC (Security Operations Center) dedicado exclusivamente ao evento, capaz de realizar a análise de pacotes de dados e verificar a autenticidade de cada fluxo de informação que entra e sai da rede temporária”, pontua.

Já o processo de credenciamento dos megaeventos, tradicionalmente visto como uma etapa logística, vem se tornando o principal vetor de entrada para invasores. O diretor jurídico afirma que, em 2026, credenciais digitais baseadas em QR Code e biometria passaram a ser alvo de ataques de ‘man-in-the-middle’, em que a IA intercepta e clona dados de acesso no momento da validação.

“Eventos que não utilizam protocolos de ‘Zero Trust’ têm sete vezes mais chances de sofrer exfiltração de dados durante os dias de realização. O fato de uma credencial ter sido validada na entrada não significa que ela tenha acesso irrestrito às redes internas de imprensa ou salas reservadas”, explica.

Segundo o advogado e professor José de Souza Junior,  o impacto de um ataque pode ir além do custo de servidores comprometidos, alcançando o possível colapso reputacional do evento. “Se os dados de um fórum diplomático são vazados, a credibilidade da organização é destruída. A cibersegurança em 2026 é, antes de tudo, uma gestão de crise preventiva”, avalia.

“A tendência para os próximos megaeventos, como a COP e as reuniões do G20, é a obrigatoriedade de auditorias cibernéticas prévias”, acrescenta. Junior explica que a prática busca antecipar vulnerabilidades e reduzir o risco invisível da IA, garantindo que ataques digitais não interrompam o curso de negociações diplomáticas ou comprometam grandes negócios corporativos.

“A IA é uma ferramenta poderosa para nós, mas é uma arma letal para o invasor. Vencer essa corrida exige inteligência aplicada e um monitoramento que nunca dorme, do primeiro cabo lançado à última credencial desativada”, conclui o advogado e professor José de Souza Junior.

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