
O Ministério Público Eleitoral (MPE) instaurou investigação para apurar a suposta prática de violência política de gênero contra a vereadora Maria de Fátima Gonzaga Gomes Honorato, conhecida como “Fabiana Enfermeira” (PSB), no município de Santa Helena, no Sertão da Paraíba.
A apuração teve início após relatos feitos pela parlamentar na Tribuna da Câmara Municipal, onde ela denunciou episódios recorrentes de constrangimento, humilhação e ataques direcionados à sua atuação política.
Segundo informações reunidas pelo MP Eleitoral, as condutas relatadas envolvem manifestações de desrespeito durante sessões legislativas, ataques em redes sociais e aplicativos de mensagens, além de tentativas de descredibilização e silenciamento da atuação parlamentar da vereadora.
Entre os episódios citados estão risos e constrangimentos públicos durante pronunciamentos na Câmara, além da circulação de memes e comentários depreciativos em grupos de WhatsApp e no Instagram.
A parlamentar também relatou impactos emocionais provocados pelas agressões sofridas. Conforme registrado nos autos, Fabiana afirmou que “nenhum mandato deveria custar a saúde mental de ninguém”.
Na análise técnica do caso, o Ministério Público apontou que os fatos narrados podem se enquadrar no crime previsto no artigo 326-B do Código Eleitoral, incluído pela Lei nº 14.192/2021, que trata da violência política contra a mulher.
O dispositivo criminaliza práticas de assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça contra candidatas ou mulheres detentoras de mandato eletivo, motivadas por discriminação de gênero e com o objetivo de impedir ou dificultar o exercício do mandato político.
De acordo com o documento, o crime é considerado de natureza formal, ou seja, pode ser configurado independentemente de o agressor conseguir impedir efetivamente o exercício do mandato. A pena prevista varia de um a quatro anos de reclusão, além de multa.
O Ministério Público também destacou que a violência política de gênero pode ocorrer de diferentes formas, incluindo violência psicológica, moral, simbólica, física, sexual e econômica.
Apesar de reconhecer a gravidade dos fatos narrados, a Procuradoria Regional Eleitoral da Paraíba concluiu pelo encaminhamento do caso à Promotoria Eleitoral da 37ª Zona Eleitoral, sediada em São João do Rio do Peixe, responsável pela continuidade das investigações e adoção das medidas cabíveis.
Única mulher entre os nove vereadores da Câmara Municipal de Santa Helena, Fabiana Gomes afirmou enfrentar situações de desrespeito, interrupções constantes de fala e pressão psicológica no exercício do mandato.
Sem citar nomes, a parlamentar declarou que seus posicionamentos e discursos frequentemente são ignorados, ironizados ou recebidos com deboche por colegas da Casa Legislativa.
Durante pronunciamento na Tribuna, a vereadora revelou ainda que sua saúde mental foi afetada pelas situações enfrentadas no ambiente político e anunciou que adotaria medidas jurídicas diante dos fatos denunciados.
Fabiana reforçou que violência política contra a mulher é crime e afirmou que não aceitará qualquer forma de intimidação, perseguição ou silenciamento.