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Erros de gestão podem elevar turnover nas empresas

Especialista da Abaccus afirma que inconsistências nos pagamentos de comissões têm desmotivado vendedores e ampliado pedidos de desligamento.

Por: Redação Fonte: Agência Dino
27/04/2026 às 15h58
Erros de gestão podem elevar turnover nas empresas
Imagem de Freepik/pch.vector

Os erros no cálculo de comissões têm se tornado um dos principais fatores de desgaste na relação entre empresas e equipes comerciais. Mais do que números em planilhas, eles afetam diretamente a confiança dos vendedores e podem acelerar pedidos de desligamento, especialmente entre profissionais de alta performance.

Jonatas Felix, diretor de tecnologia e cofundador da Abaccus, empresa especializada em soluções BRMS (Business Rules Management System), explica por que o tema é tão sensível. "Comissão é o acordo financeiro mais direto entre empresa e vendedor. Quando o cálculo está errado, você não quebra só uma regra, você quebra confiança. Quando o vendedor bate meta e o pagamento vem diferente do esperado, ele não vai questionar a matemática primeiro, mas se a empresa está sendo honesta", informa.

Dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), com base no Novo CAGED, mostram que, apenas nos dois primeiros meses de 2025, o Brasil registrou 1,625 milhão de pedidos de demissão voluntária entre trabalhadores com carteira assinada, número 15,5% maior em relação ao mesmo período de 2024. O dado evidencia como a insatisfação com políticas de remuneração variável tem contribuído para esse aumento.

Os impactos mais comuns para os vendedores podem ser perda de confiança na liderança, imprevisibilidade financeira e desmotivação, mesmo quando as metas são atingidas. Para as empresas, os efeitos vão desde inconsistências no setor financeiro até risco trabalhista e perda de profissionais.

"Erro em comissão não vira apenas retrabalho. Ele vira ressentimento. Já vi vendedores de alta performance pedirem demissão não porque ganhavam pouco, mas porque a comissão vinha errada com frequência. A imprevisibilidade financeira destrói qualquer plano de comissionamento, por melhor que ele seja no papel", relata.

Definir uma porcentagem justa e competitiva também é um desafio. De acordo com uma análise realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os tipos de comissionamento mais praticados hoje em dia no Brasil são Comissionamento Progressivo, Comissão por Vendas, Comissionamento por Faturamento e Comissão por Margem de Lucro. Cada um desses pagamentos envolve suas especificidades; por isso, a atenção da empresa é essencial.

Mesmo assim, Felix destaca que não existe uma fórmula única, mas sim critérios que devem ser considerados. "A margem do produto ou serviço precisa comportar a comissão. A complexidade da venda também influencia: uma negociação consultiva de seis meses com ticket de R$ 500 mil justifica comissão maior que uma venda transacional de dois dias com ticket de R$ 5 mil", detalha.

"Além disso, o mercado de talento pesa. Se você está em um nicho em que vendedor bom é disputado, precisa pagar pelo menos na média do mercado. Abaixo disso, você só contrata quem não tem opção melhor", acrescenta.

Outro ponto crítico é a previsibilidade. Atrasos ou inconsistências nos pagamentos afetam diretamente o engajamento da equipe. "O vendedor trabalha por dois motivos: realização profissional e dinheiro. Quando você atrasa ou erra o pagamento, você tira o segundo da equação. E o pior: você tira previsibilidade. Já presenciei uma equipe comercial inteira pedir demissão em bloco porque a comissão atrasou três meses seguidos. Não era uma empresa quebrando. Era um sistema manual que não dava conta de calcular, e o financeiro priorizava outras coisas", sustenta Félix.

A documentação das regras de comissão é outro aspecto essencial. Sem regras claras e auditáveis, disputas entre empresa e vendedor se tornam inevitáveis. "Regra não documentada não existe. Ela serve para prevenir disputa, proteger a empresa em processos trabalhistas e escalar a operação, garantindo que qualquer pessoa consiga entender a fórmula, simular resultados e acessar a versão oficial. Caso contrário, cada filial cria sua própria regra e a empresa perde controle", alerta.

Nesse contexto, a tecnologia pode desempenhar papel decisivo ao adotar sistemas de CRM e ERP que ajudam a centralizar dados, automatizar cálculos e garantir consistência. No entanto, Félix ressalta que as ferramentas só funcionam se o processo for bem estruturado. "Se os dados de entrada estão errados, o cálculo sairá da mesma forma. A tecnologia amplifica o processo. Se ele é bom, ela o torna excelente. Se é ruim, ela torna ruim em escala", avalia.

A solução, segundo o especialista, é separar o motor de cálculo do motor de regras. "O CRM ou ERP alimenta os dados, enquanto o motor de regras aplica a lógica de comissionamento. Assim, a área comercial consegue ajustar critérios sem depender de TI. Isso garante agilidade e reduz falhas. Empresas que levam comissionamento a sério já operam dessa forma", afirma.

O tema ganha relevância diante do aumento do turnover e da disputa por talentos comerciais. Para Félix, a mensagem é clara: "Erro destrói confiança, gera turnover e custa caro. Regra precisa ser justa, clara, consistente e auditável. Tecnologia ajuda, mas só se você separar dados da lógica de negócio. Senão você só automatiza o caos", conclui.

Para saber mais, basta acessar: https://abaccus.com.br/

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