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Presença feminina ainda é desafio na cibersegurança

Especialista aponta que ampliar a presença feminina fortalece a governança digital e a capacidade de resposta a ameaças cada vez mais sofisticadas.

Por: Redação Fonte: Agência Dino
23/03/2026 às 13h14
Presença feminina ainda é desafio na cibersegurança
Imagem de Freepik

Dados do ISC² Cybersecurity Workforce Study 2025 mostram que as mulheres ainda ocupam uma parcela minoritária no mercado de cibersegurança. Atualmente, elas representam cerca de 24% da força de trabalho global do setor, participação que cresce gradualmente mesmo diante da escassez de milhões de profissionais qualificados em todo o mundo.

Para o diretor do Grupo RG Eventos e especialista em cibersegurança e governança digital, José de Souza Junior, o debate precisa avançar para além das estatísticas. Na avaliação dele, a cibersegurança não é apenas uma disciplina técnica: envolve análise de risco, compreensão institucional e tomada de decisão sob pressão. Nesse contexto, equipes plurais ampliam a capacidade de antecipar cenários e reduzir pontos cegos.

Ainda conforme o especialista, em operações críticas, como grandes eventos internacionais, fóruns diplomáticos e ambientes de missão estratégica, a diversidade de pensamento se torna um fator concreto de segurança.

"Em ambientes de alta criticidade, não podemos trabalhar com visões homogêneas. Quanto maior a pluralidade de perspectivas, maior a capacidade de identificar vulnerabilidades antes que elas se tornem incidentes", analisa.

Diversidade como estratégia de segurança

Souza Junior observa que, atualmente, segurança digital é também uma questão de governança. "Não basta proteger sistemas: é necessário resguardar reputação institucional, dados sensíveis e a estabilidade operacional das organizações. Isso demanda competências diversas, inclusive na liderança", acrescenta.

O especialista destaca que o avanço da inteligência artificial generativa vem acompanhado de novas formas de ameaça, como ataques baseados em inteligência artificial (IA), deepfakes e automação maliciosa, que elevam o nível de sofisticação das ofensivas digitais.

"Esse cenário exige equipes multidisciplinares capazes de integrar conhecimento técnico, jurídico, regulatório e estratégico", explica.

O desafio também aparece em escala global. O relatório Global Cybersecurity Outlook 2026, do World Economic Forum, aponta que a escassez de profissionais qualificados em cibersegurança permanece entre os principais riscos enfrentados por organizações públicas e privadas. O quadro se torna ainda mais complexo diante da crescente sofisticação das ameaças digitais, que demandam equipes cada vez mais preparadas para responder a incidentes e proteger sistemas e dados.

Eventos internacionais ampliam riscos cibernéticos

A discussão ganha contornos ainda mais relevantes quando se trata de grandes eventos internacionais. Nesses ambientes, a presença de redes temporárias, sistemas de credenciais digitais, autoridades e cobertura da imprensa estrangeira amplia significativamente a superfície de ataque e os desafios relacionados à proteção de dados e à segurança das infraestruturas digitais.

"A segurança de um evento não depende apenas de tecnologia. Depende de coordenação, comunicação e capacidade de decisão integrada. Mulheres têm ocupado posições fundamentais nesse processo — e isso precisa se tornar regra, não exceção", ressalta Souza Junior.

Desafios estruturais e caminhos para ampliar a participação feminina

Apesar dos avanços, ainda persistem obstáculos estruturais, como o baixo incentivo às áreas de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) desde a educação básica, a menor presença feminina em cargos técnicos de liderança e a desigualdade de oportunidades em setores estratégicos.

Na avaliação de Souza Junior, a ampliação da participação feminina na cibersegurança passa por três pilares principais:

  • Investimento em formação técnica voltada a jovens;
  • Programas de mentoria e liderança em cibersegurança;
  • Inserção feminina em conselhos e comitês de governança digital.

"Mais do que ampliar números, trata-se de fortalecer a capacidade de resposta a riscos sistêmicos", analisa.

O especialista reforça que ampliar a presença feminina na cibersegurança não é apenas uma pauta simbólica, mas uma decisão estratégica para organizações que levam a sério a soberania digital.

"Em um ambiente em que a próxima ameaça pode surgir em segundos — impulsionada por inteligência artificial, disputas geopolíticas ou engenharia social sofisticada —, ampliar a diversidade deixou de ser um gesto institucional. Tornou-se um imperativo de segurança", conclui.

Para mais informações, basta acessar: https://gruporgeventos.com.br/

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