
Desde a última segunda-feira (9), a equipe de fiscalização do PROCON Municipal de Sousa iniciou uma série de visitas a postos de combustíveis em Sousa, no Sertão da Paraíba, para apurar um aumento considerado significativo nos preços da gasolina, do diesel e do etanol.
A medida foi adotada após o órgão identificar reajustes de alguns centavos nos valores cobrados nas bombas durante a última semana, sem comunicação prévia aos consumidores.
Durante as inspeções, os fiscais solicitaram e analisaram notas fiscais de compra de combustíveis em diversos estabelecimentos. De acordo com o PROCON, os documentos indicam que o aumento registrado nos postos teria sido provocado pelas distribuidoras, que elevaram o preço de venda do produto para os revendedores.
Segundo a coordenadora executiva do órgão, Rayanne Rodrigues Freire, os postos funcionam como revendedores finais e repassam ao consumidor os valores praticados pelas distribuidoras.
“Os postos compram combustíveis das distribuidoras e, quando ocorre aumento no valor de aquisição, isso acaba refletindo diretamente no preço cobrado ao consumidor final”, explicou.
Diante da situação, o PROCON informou que também acionou o Ministério Público da Paraíba, com sede em Cabedelo, na região metropolitana de João Pessoa, solicitando a abertura de investigação junto às distribuidoras responsáveis pelo fornecimento.
Ainda segundo a coordenadora, o reajuste teria ocorrido sem justificativa clara ou aviso prévio ao mercado, o que levanta suspeitas sobre a formação dos preços.
Outro fator apontado como possível influência para o aumento seria o cenário internacional. Conflitos geopolíticos no Oriente Médio, especialmente tensões envolvendo o Irã, costumam impactar o preço do petróleo no mercado global, refletindo no valor dos combustíveis em diversos países, incluindo o Brasil.
Embora o país seja um dos maiores produtores de petróleo do mundo, parte do petróleo produzido nacionalmente é refinado por empresas internacionais. Além disso, distribuidoras brasileiras também compram combustíveis ou derivados de fornecedores estrangeiros, ficando sujeitas às oscilações do mercado internacional.
Outro ponto citado é a mudança no mercado de distribuição após a venda da antiga BR Distribuidora pela Petrobras. O processo, concluído entre 2019 e 2021, resultou na privatização da empresa, atualmente chamada Vibra Energia.
Hoje, a companhia é considerada a maior distribuidora de combustíveis do país, com cerca de 30% de participação no mercado, aproximadamente oito mil postos credenciados e atuação em 99 aeroportos.
Com a investigação em andamento, o PROCON informou que continuará monitorando os preços praticados nos postos de Sousa e analisando documentos fiscais para verificar se os reajustes estão sendo aplicados de forma legal e transparente ao consumidor.