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Especialistas falam sobre como se preparar para as novas exigências da NR-1

Norma amplia a obrigatoriedade de identificação e gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Por: Redação Fonte: Agência Dino
02/03/2026 às 19h43
Especialistas falam sobre como se preparar para as novas exigências da NR-1
Freepik

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia a obrigatoriedade de identificação e gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, vai demandar adaptações por parte das empresas, no que tange à Segurança e Saúde do Trabalho (SST).

Um levantamento do Ministério da Previdência Social indica que mais de duas mil profissões estão entre aquelas em que trabalhadores precisaram se afastar do trabalho por transtornos mentais no Brasil, sendo mais de 500 mil afastamentos somente em 2025.

"Ao integrar fatores relacionados ao sofrimento mental, organização do trabalho, pressões por desempenho e conflitos interpessoais à lista de riscos que devem ser monitorados, a norma passa a exigir uma abordagem tão estruturada quanto já existe para riscos físicos, químicos ou ergonômicos", destaca Claudia Mazoni (CRP 07/11919), fundadora da Compassivamente, clínica focada em saúde mental.

Segundo ela, riscos psicossociais deixaram de ser temas abstratos de bem-estar para se tornarem variáveis de saúde ocupacional com impactos diretos sobre a produtividade e os resultados econômicos das organizações.

O tema foi apresentado durante um evento online da InternetSul, entidade que congrega as empresas de Internet do Rio Grande do Sul.

Para José Ayrton Cardoso, responsável pela gestão administrativa e financeira da Compassivamente, a conexão da InternetSul com as demandas da saúde ocupacional é um exemplo para o mercado, principalmente quando se tem dados como os divulgados recentemente pelo sistema previdenciário brasileiro, evidenciando que, em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária atribuídos a transtornos mentais e comportamentais, incluindo depressão e ansiedade.

"Estas informações são um indicador do quanto esses agravos impactam a vida produtiva dos trabalhadores e o caixa das empresas", ressalta Cardoso.

Cláudia chama atenção, ainda, para o chamado presenteísmo, definido quando colaboradores estão fisicamente presentes, mas com baixo desempenho por sofrimento psíquico, o que afeta diretamente a capacidade de entrega das equipes.

"De forma prática, para responder às exigências da NR-1 com relação aos riscos psicossociais, são necessárias metodologias que vão além de planilhas genéricas. É necessário um método adequado, seja no âmbito de provedores de Internet ou de empresas de outros setores", comenta ela.

Conforme a psicóloga, esta metodologia deve incluir avaliações qualitativas, com entrevistas e diálogos com gestores e colaboradores, instrumentos quantitativos validados cientificamente, capazes de mapear onde e como os riscos se manifestam, classificação dos níveis de risco, de acordo com intensidade e impacto, planos de ação técnico-estruturados, com medidas preventivas e corretivas, além de acompanhamento assistido, para auxiliar na implementação e monitoramento das práticas saudáveis nas empresas ao longo do tempo.

"A NR-1 exige que esse tema seja tratado com a mesma seriedade que os riscos físicos ou químicos", frisa ela.

Já Luiza Menezes (CRP 07/38503), psicóloga e pesquisadora com experiência em ambientes de alta complexidade, reforça que os riscos psicossociais não são o que muitos podem entender como modismo. "Eles estão diretamente relacionados à capacidade de as empresas manterem equipes produtivas, saudáveis e engajadas", afirma. "Desta forma, a inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 apresenta um marco regulatório desafiador, mas também uma oportunidade para as empresas reavaliarem o modo como gerenciam saúde, segurança e bem-estar", acrescenta Cardoso.

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