Segunda, 26 de Outubro de 2026
24°C 36°C
Sousa, PB
Publicidade

IA impulsiona descarbonização da indústria de base

Tecnologia se torna peça-chave para reduzir emissões e aumentar a competitividade da indústria brasileira diante da transição energética

Por: Redação Fonte: Agência Dino
08/01/2026 às 14h48
IA impulsiona descarbonização da indústria de base
Imagem de Freepik

A descarbonização da indústria de base no Brasil, que inclui setores como cimento, aço e mineração, ganhou novo fôlego em 2025 com iniciativas governamentais e parcerias internacionais. Recentemente, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) firmou acordo com o Instituto de Pesquisa em Sustentabilidade da Schneider Electric para avançar na agenda de descarbonização.

No mesmo ano, o Brasil conquistou o primeiro lugar no Programa de Descarbonização da Indústria (PID), promovido pelo Fundo de Investimentos Climático (CIF), garantindo acesso a R$ 1,3 bilhão em financiamento para ampliar tecnologias limpas e circulares, como hidrogênio e materiais de baixo carbono.

Durante a COP30, realizada em novembro, o vice-presidente Geraldo Alckmin lançou a consulta pública da Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (ENDI), que busca transformar a transição energética em motor de desenvolvimento econômico sustentável.

Nesse contexto, a Inteligência Artificial (IA) surge como ferramenta estratégica para viabilizar a redução de emissões e aumentar a eficiência operacional. Para Roger Flávio de Lima, especialista em Inteligência Artificial, IoT e Computação em Nuvem aplicados à infraestrutura sustentável e CEO da Montreal Construções, o estágio atual da descarbonização é promissor, mas ainda incipiente em escala.

"O Brasil possui uma matriz energética relativamente limpa, mas o desafio reside em reduzir as emissões de processo, que não vêm da energia, mas da reação química do material, e a pegada de carbono de uma frota de maquinário pesada, muitas vezes obsoleta", afirma.

Segundo ele, a IA não é apenas um facilitador, mas o motor central da próxima fase de descarbonização. "Ela pode reduzir o consumo de energia e insumos em processos industriais complexos, como o forno de cimento ou a aciaria, em 5% a 15%, apenas otimizando a mistura de matérias-primas e a temperatura em tempo real, resultando em milhões de toneladas de CO₂ evitadas".

"Além disso, algoritmos preditivos aplicados à manutenção de frotas e maquinário pesado minimizam o downtime e garantem que cada ativo opere no seu ponto ideal de eficiência energética, prolongando sua vida útil e adiando a necessidade de produção de novos equipamentos", completa.

Apesar dos avanços, Lima aponta gargalos tecnológicos que ainda dificultam a transição energética. Entre eles estão a infraestrutura de dados obsoleta, que limita a coleta e o processamento de informações em tempo real; o alto custo de soluções como captura e armazenamento de carbono ou substituição de combustíveis fósseis por hidrogênio verde; e a ausência de plataformas integradas de monitoramento.

"Precisamos de Gêmeos Digitais que modelem o processo completo, desde a matéria-prima até a emissão, para simular o impacto de cada intervenção e garantir que a redução em uma área não cause aumento em outra", observa.

Casos reais da aplicação

Casos práticos já demonstram o potencial da IA na redução de emissões. Lima cita a otimização de fornos industriais por meio de algoritmos de aprendizado por reforço, capazes de ajustar continuamente parâmetros de queima para maximizar a produção com menor consumo de energia e emissões.

Ele também destaca o uso de IA integrada a dados de IoT para otimizar o roteamento de caminhões e equipamentos pesados em grandes projetos de infraestrutura, reduzindo o consumo de diesel e as emissões associadas.

"Outro exemplo é a detecção preditiva de vazamentos de metano, realizada por meio da análise de imagens de satélite e sensores de campo, que permite reparos quase instantâneos e evita perdas ambientais significativas", explica.

A modelagem de cenários futuros é outro campo em que a IA se mostra decisiva. "Usando Gêmeos Digitais, é possível simular o retorno sobre o investimento de uma nova tecnologia antes que o capital seja alocado. A IA prevê reduções exatas nas emissões de gases de efeito estufa, custos operacionais e tempo de payback, fornecendo dados concretos para a tomada de decisão da diretoria", explica Lima.

O especialista acrescenta que algoritmos também podem otimizar portfólios de carbono, analisando preços de energia e regulamentações futuras para recomendar a melhor alocação de capital entre redução de emissões internas e compra de créditos de carbono.

"Além disso, a IA pode prever a demanda futura de energia limpa em cenários de transição para hidrogênio ou amônia verde, orientando empresas sobre a viabilidade e o cronograma de substituição de insumos energéticos", ressalta.

Para medir o impacto real da digitalização no processo de descarbonização, Lima defende métricas específicas. Entre elas, a intensidade de carbono por produto, que calcula a pegada de carbono por tonelada produzida; o custo marginal de abatimento, que mede o custo de remover uma tonelada adicional de CO₂; a taxa de otimização do consumo específico, que avalia a economia de energia primária alcançada pela IA; e o tempo de resposta preditiva, que indica a rapidez com que o sistema corrige desvios operacionais que poderiam aumentar as emissões.

Na visão do especialista, a transição para o Net Zero não é apenas uma questão ambiental, mas de competitividade global. "A indústria brasileira, especialmente a de base, que é intensiva em energia e emissões, enfrentará barreiras comerciais significativas se não acelerar o passo".

"A IA não é um luxo, mas uma necessidade urgente para manter a indústria brasileira relevante no mercado internacional e garantir que o país capitalize sobre seu potencial em energia limpa. A liderança executiva precisa ver a IA como um investimento em resiliência e vantagem competitiva, e não apenas como um custo", conclui.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Data centers de IA demandam grandes equipamentos de energia e logística complexa
Tecnologia Há 2 meses

Supercomputadores de IA desafiam logística de equipamentos

Para especialistas em logística de cargas sensíveis e de alto valor — como transformadores de energia — viabilizar essas megaestruturas depende de operações logísticas complexas, para evitar que esses equipamentos sejam danificados por impactos ou...

Aplicativo Quem é Ele? identifica sinais de relacionamento abusivo e atua na prevenção da violência contra a mulher
Tecnologia Há 2 meses

Aplicativo identifica sinais de relacionamento abusivo

A proposta do aplicativo Quem é Ele? é organizar sinais que hoje podem estar dispersos em fontes públicas e em conversas que a própria usuária pode compartilhar com a inteligência artificial do aplicativo. Essa combinação dá duas leituras em um re...

Divulgação BeeFood
Tecnologia Há 2 meses

BeeFood leva soluções de gestão ao Sergipe Food Delivery

Durante a segunda edição do evento, realizada em Aracaju, a foodtech apresentou recursos para centralizar pedidos vindos de diferentes canais e aplicar inteligência artificial ao acompanhamento de avaliações. A empresa também detalhou os próximos ...

Imagem do Magnific
Tecnologia Há 2 meses

Fim da escala 6x1 impulsiona uso de IA nas vendas

Enquanto o Congresso analisa a redução da jornada de trabalho, a Skill-Hub avalia como agentes de inteligência artificial ampliam a capacidade comercial das empresas ao operar fora do expediente, período em que parte relevante das decisões de comp...

Fonte: Idealtrack
Tecnologia Há 2 meses

Grupo de R$ 400 mi aposta em plataforma de IA

Um dos maiores ecossistemas empresariais do país, com faturamento anual superior a R$ 400 milhões, entra na nova fronteira do marketing digital com o lançamento da IdealTrack, plataforma pioneira de AI Visibility e GEO desenvolvida para monitorar ...