
Antônio Neto Ais, proprietário da empresa Braiscompany, foi preso nesta quinta-feira (29), por intermédio da Interpol, após mais de um ano foragido. As informações preliminares indicam que ele foi encontrado em um condomínio na Argentina. Sua esposa, Fabrícia Campos, também foi detida.
A prisão ocorre após a divulgação, em 13 de fevereiro, da condenação de 10 pessoas relacionadas ao caso Braiscompany, incluindo Antônio Ais, que recebeu uma sentença de 88 anos e 7 meses, e sua esposa, Fabrícia Farias, condenada a 61 anos e 11 meses.
Há alguns dias, o advogado Artêmio Picanço esteve em Brasília para entregar um dossiê que constava a suposta localização de Antônio.
Segundo o advogado, o documento, entregue nos gabinetes dos paralamentares paraibanos Veneziano Vital e Romero Rodrigues, teria informações detalhadas sobre a localização de Ais. Ele buscava apoio para a extradição do casal.
O casal era considerado foragido desde 16 de fevereiro de 2023, quando ocorreu a primeira fase da Operação Halving da Polícia Federal, que investigou crimes contra o sistema financeiro e o mercado de capitais.
Dentre os delitos mencionados na sentença do juiz Vinícius Costa Vidor, da 4ª Vara Federal em Campina Grande, estão operação de instituição financeira sem autorização, gestão fraudulenta, apropriação e lavagem de capitais.
Além das penas de prisão, o magistrado determinou que os réus paguem mais de R$ 277 milhões em danos patrimoniais e R$ 100 milhões em danos morais coletivos.
A Braiscompany, fundada por Antônio Ais e Fabrícia Ais, atuava no ramo de gestão de ativos digitais e soluções em tecnologia blockchain. A empresa oferecia a investidores a oportunidade de converter seu dinheiro em ativos digitais, os quais eram administrados pela companhia por um ano, em troca de um retorno financeiro mensal de cerca de 8%, uma taxa considerada atípica no mercado.
A operação da Polícia Federal, denominada Halving, realizada em 16 de fevereiro de 2023, teve como alvo a sede da Braiscompany e locais associados, em Campina Grande, João Pessoa e São Paulo. Posteriormente, cerca de R$ 15,3 milhões foram bloqueados em contas ligadas à empresa, que movimentou aproximadamente R$ 1,5 bilhão nos últimos quatro anos, segundo a Polícia Federal.