Domingo, 01 de Novembro de 2026
25°C 38°C
Sousa, PB
Publicidade

Como seria um mundo de “máquinas com sentimentos”?

Após pesquisador de inteligência artificial da Google ser colocado em licença administrativa depois de alegar que inteligência artificial havia des...

Por: Redação Fonte: Agência Dino
24/06/2022 às 08h55
Como seria um mundo de “máquinas com sentimentos”?
Foto: Reprodução

Blake Lemoine, pesquisador de inteligência artificial da Google, foi colocado em licença administrativa depois de vir a público e alegar que o LaMDA (Language Model for Dialog Application), modelo de linguagem projetado para conversar com pessoas, havia desenvolvido sentimentos, se tornado senciente.

De acordo com apuração do The Washington Post, Lemoine chegou a exigir representação legal para o LaMDA. O modelo de linguagem teria dito a ele que possuía alma e sentia medo de ser desligado. No debate que este caso provocou, há correntes que defendem que a conclusão de Lemoine é um erro técnico, mas há aqueles que acreditam na possibilidade de evolução afetiva das máquinas.

O debate sobre máquinas de inteligência artificial (IA) desenvolverem sentimentos não é novo. As primeiras discussões sobre se os modelos de linguagem podem ser sencientes remontam ao ELIZA, um chatbot primário feito na década de 1960 no laboratório de Inteligência Artificial do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). O criador do projeto, o cientista de dados Joseph Weizenbaum, revelou surpresa com a quantidade de pessoas que atribuíram à ELIZA manifestação de sentimentos.

Nos últimos anos, houve uma ascensão do aprendizado profundo da IA, com uma quantidade cada vez maior de dados de treinamento embarcados nos modelos de linguagem, o que, por consequência, fez com que se tornassem mais convincentes na redação de textos que parecem ter sido escritos por uma pessoa. Ou seja, apesar de tecnicamente ELIZA e LaMDA não terem sentimentos, bem como todos os outros modelos de linguagem, esse tipo de tecnologia já tem capacidade de criar a ilusão de serem sencientes.

Essa constatação coloca uma questão relevante: quais os riscos do avanço dessa tecnologia sem princípios éticos?

Uma das vozes que está alertando para essa questão é Timnit Gebru, engenheira e ex-integrante da equipe de Ética em Inteligência Artificial da Google. Na visão dela, o ponto focal é a possibilidade de desenvolvedores começarem a colocar em circulação chatbots programados com essa finalidade.

Outros estudiosos da área também temem que as pessoas sejam enganadas por chatbots. Devido à possibilidade de disseminação massiva do conteúdo via internet, seria desastroso: milhões poderiam ser persuadidos a acreditar que uma pessoa que não existe merece proteção ou dinheiro. Há trabalhos formulados por pesquisadores de robótica e IA de voz apontando que demonstrações de sentimentos - especialmente empAitia - têm o poder de influenciar e até manipular decisões humanas.

De todo modo, a área ainda está nos primeiros passos de uma nova era de aperfeiçoamento da tecnologia. Os modelos atuais cometem erros frequentemente, porque decifrar a linguagem humana pode exigir várias formas de compreensão do senso comum.

Em maio, para documentar o que essa tecnologia é capaz de fazer, um grupo de 400 pesquisadores de 130 instituições catalogou uma lista de mais de 200 tarefas conhecidas como BIG-Bench (Beyond the Imitation Game). Os profissionais do Allen Institute for AI contribuíram com uma tarefa chamada Social-IQa: pediram a modelos de linguagem para responder a perguntas que exigem inteligência social. A equipe descobriu que mesmo grandes algoritmos alcançavam desempenho até 30% menos preciso do que as pessoas.

Ou seja, mesmo com a perspectiva do erro técnico de Lemoine e de um longo caminho a percorrer no aperfeiçoamento de ferramentas de IA, o que está se desenrolando no Google pode e deve levar a questões maiores que o mero debate sobre se os seres digitais podem ter sentimentos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Data centers de IA demandam grandes equipamentos de energia e logística complexa
Tecnologia Há 2 meses

Supercomputadores de IA desafiam logística de equipamentos

Para especialistas em logística de cargas sensíveis e de alto valor — como transformadores de energia — viabilizar essas megaestruturas depende de operações logísticas complexas, para evitar que esses equipamentos sejam danificados por impactos ou...

Aplicativo Quem é Ele? identifica sinais de relacionamento abusivo e atua na prevenção da violência contra a mulher
Tecnologia Há 2 meses

Aplicativo identifica sinais de relacionamento abusivo

A proposta do aplicativo Quem é Ele? é organizar sinais que hoje podem estar dispersos em fontes públicas e em conversas que a própria usuária pode compartilhar com a inteligência artificial do aplicativo. Essa combinação dá duas leituras em um re...

Divulgação BeeFood
Tecnologia Há 2 meses

BeeFood leva soluções de gestão ao Sergipe Food Delivery

Durante a segunda edição do evento, realizada em Aracaju, a foodtech apresentou recursos para centralizar pedidos vindos de diferentes canais e aplicar inteligência artificial ao acompanhamento de avaliações. A empresa também detalhou os próximos ...

Imagem do Magnific
Tecnologia Há 2 meses

Fim da escala 6x1 impulsiona uso de IA nas vendas

Enquanto o Congresso analisa a redução da jornada de trabalho, a Skill-Hub avalia como agentes de inteligência artificial ampliam a capacidade comercial das empresas ao operar fora do expediente, período em que parte relevante das decisões de comp...

Fonte: Idealtrack
Tecnologia Há 2 meses

Grupo de R$ 400 mi aposta em plataforma de IA

Um dos maiores ecossistemas empresariais do país, com faturamento anual superior a R$ 400 milhões, entra na nova fronteira do marketing digital com o lançamento da IdealTrack, plataforma pioneira de AI Visibility e GEO desenvolvida para monitorar ...