
A Prefeitura de Cajazeiras é citada por um dos delatores da Operação Cidade Luz, deflagrada no dia 2 de agosto pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) em ação conjunta com as polícias Civil e Militar da Paraíba, que relevou um esquema criminoso que desviou mais de R$ 183 mil dos cofres públicos em propinas pagas a um grupo político e gerou o lucro de R$ 547 mil a duas empresas prestadoras de serviço de iluminação pública.
Em uma conversa por aplicativo de mensagens, o empresário Artur Castro revela ao filho, o também empresário Felipe Castro, – ambos investigados na operação e apontados como operadores das empresas Enertec e Real Energy -, que esquema semelhante ao da Prefeitura de Patos também estaria fechado para a cidade de Cajazeiras.
Um fato que chama atenção na conversa que está incorporada nos autos da investigação é que confirmação do acordo com Cajazeiras foi comemorada pelos investigados apenas cinco dias após a posse do prefeito José Aldemir.
No caso de Patos, as investigações revelam que Dinaldinho Wanderley, agora prefeito afastado da cidade, firmou um acordo com a empresa Enertec Ltda para fornecimento de propina ainda durante as eleições, em 2016. Segundo a investigação, Múcio Filho, assessor de Dinaldinho, que foi preso na operação, e Gustavo Wanderley, irmão do prefeito, venderam o contrato para a prestação do serviço de iluminação pública do município e estabeleceram o recebimento de uma comissão de 5% das medições pagas pela prefeitura, quando o contrato se iniciasse, em janeiro de 2017.
O contrato emergencial de iluminação pública foi feito, inicialmente, com a Real Energy, porque o secretário de Infraestrutura, Jardelson Medeiros, divulgou a escolha da Enertec antes do contrato assinado. A cada empenho, era pago um percentual em propina. Além do percentual em cima das medições mensais, foram inseridos serviços e materiais não utilizados nos boletos de medição feitos pela prefeitura, contando com a omissão deliberada de Jardelson Medeiros, que também passou a receber propina.
De acordo com a investigação, houve um enriquecimento ilícito inicial de R$ 730 mil aos investigados, de um total de R$ 1,09 milhão pago pela Prefeitura Municipal de Patos em empenhos, em apenas 10 meses.