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Datafolha: 57% dizem nunca confiar nas declarações de Bolsonaro, recorde no mandato

Presidente avançou nas últimas semanas em rotina de declarações golpistas e de ataques a outros Poderes

17/09/2021 às 13h49
Por: Redação Fonte: Folha de S. Paulo
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O presidente Jair Bolsonaro, em evento no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira - 15.set.21/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro, em evento no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira - 15.set.21/Folhapress

A maioria da população desconfia sempre das declarações dadas pelo presidente Jair Bolsonaro, aponta pesquisa feita pelo Datafolha.

De acordo com levantamento do instituto, 57% dos entrevistados dizem que nunca confiam no que é dito por ele, ante 15% que afirmaram sempre confiar e 28% que responderam que às vezes confiam.

O Datafolha ouviu presencialmente 3.667 pessoas em todo o Brasil de segunda-feira (13) até a quarta-feira (15). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Numericamente, o índice de desconfiança em relação às declarações do mandatário é o mais alto já aferido pelo Datafolha neste mandato.

Na pesquisa anterior, feita em julho, a taxa estava em 55%. A barreira dos 50% tinha sido atingida pouco antes, em maio. A alta é consistente desde dezembro passado, quando a resposta "às vezes" chegou a superar numericamente o índice negativo —39% a 37% naquela ocasião.

Desde o levantamento anterior, Bolsonaro avançou em uma rotina de declarações golpistas e de ataques a outros Poderes.

Também nesse período, o presidente, que já investiu em ataques à vacinação contra Covid e a parceiros comerciais do Brasil, direcionou e ampliou suas críticas contra o sistema eletrônico de votação.

Chegou ao ponto de fazer no fim de julho uma live do Palácio do Planalto ao lado de um militar apresentado apenas como "analista de inteligência" para apresentar o que ele chamava de provas de fraudes.

Mas abordou apenas teorias que circulam há anos na internet sobre as urnas eletrônicas e que já foram desmentidas anteriormente.

A partir da derrota da proposta do voto impresso na Câmara, no dia 10 de agosto, Bolsonaro passou a dedicar suas energias e falas contra o Supremo Tribunal Federal, mais especificamente contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Convocou manifestações para o Sete de Setembro, data que classificou como "um ultimato" contra os magistrados. Em discurso no feriado, afirmou que não mais cumpriria ordens de Moraes.

​Barroso respondeu com uma declaração na qual chamou o presidente de "farsante". "O slogan para o momento brasileiro, ao contrário do propalado, parece ser: 'Conhecerás a mentira e a mentira te aprisionará'".

Dois dias depois, diante de uma paralisação de caminhoneiros em protesto contra o STF e em seu apoio, Bolsonaro recuou em uma nota escrita com auxílio de seu antecessor, Michel Temer.

Tema frequente de declarações mentirosas de Bolsonaro é a atuação do governo na pandemia.

Em março, por exemplo, ele foi à TV afirmar em pronunciamento que em nenhum momento o governo deixou de tomar medidas para combater o vírus, embora ele tenha minimizado, também em rede de televisão, a crise sanitária em 2020.

Bolsonaro também costuma repetir que o Supremo impediu o governo federal de agir na pandemia. Na verdade, a corte deu autonomia para que estados e municípios adotassem medidas de prevenção, como o fechamento de estabelecimentos comerciais.

O ceticismo com relação ao que o presidente diz está em patamares não muito diferentes da avaliação do governo do presidente como um todo.

A pesquisa do instituto feita nesta semana mostrou que 53% dos entrevistados consideram seu governo ruim ou péssimo, contra 22% que avaliam como ótimo ou bom.

A desconfiança em relação às declarações também é maior entre as mulheres do que entre os homens —61% a 52%— e entre entrevistados que vivem no Nordeste —66%.

A taxa negativa para Bolsonaro cai entre os entrevistados com renda mais alta. Entre os que têm renda familiar de cinco a dez salários mínimos, o indíce desce para 48%. Os entrevistados com renda familiar superior a dez salários mínimos que sempre confiam nas declarações somam 26%.

No recorte que computa apenas os eleitores que afirmam que vão votar pela reeleição dele em 2022, a taxa de confiança atinge 50% ou mais, dependendo do cenário eleitoral pesquisado.

Um dos segmentos que mais rejeitam a veracidade das declarações de Bolsonaro é o que vê "muita chance" de um golpe de Estado no país. Nesse recorte, a desconfiança no que é dito pelo presidente chega a 85%.

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Sousa - PB Atualizado às 09h44 - Fonte: ClimaTempo
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