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Rádio Líder esclarece polêmica envolvendo radialistas e direção da emissora emite nota; confira!

Direção da Rádio Líder emite nota e esclarece polêmica envolvendo radialistas em Sousa.

Por: Redação Fonte: Da Redação do Debate Paraíba
21/02/2019 às 15h26 Atualizada em 26/02/2019 às 11h32
Rádio Líder esclarece polêmica envolvendo radialistas e direção da emissora emite nota; confira!

Os últimos dias tem sido bastante movimentado na radiofonia de Sousa, no sertão da Paraíba.

É que, a direção da Rádio Líder FM, comandada pela família Gadelha divulgou uma nota sobre alguns comentários de que à emissora teria proibido funcionários e donos de programas locados em participar de entrevistas coletivas da prefeitura de Sousa ou divulgar ações do prefeito Fábio Tyrone (PSB), rival político da família Gadelha. 

Em nota, os advogados Lafayette e Myriam Gadelha, ambos diretores da emissora, trás esclarecimentos dos fatos que ocorreram nas redes sociais e na imprensa local.  

Confira à nota na íntegra:

Quando começamos a gerir a Rádio Líder FM, emissora de nossa família, encontramo-la em particular estado de abandono e sob a égide de um comando desorganizado e falido. Atraso de salários, estrutura sucateada, equipamentos de péssima qualidade, dívidas trabalhistas e fiscais aos montes. Graças a muito suor, esforço e uma concepção de gestão que aliou seriedade e compromisso a organização, disciplina e um pouco de astúcia, conseguimos, com a ajuda imprescindível de Rafael Estrela e Antônio Pordeus, em especial, tirar a empresa do vermelho e formar um grupo de trabalho engajado naquilo que faz, tornando-a um instrumento democrático voltado à sociedade.

Na Líder, ninguém trata os outros com destrato, reina um ambiente saudável de harmonia e leveza. É uma parte importantíssima de nossa história profissional e humanística, e a prova mais confessada de como conduzimos a rádio com a mais alta importância, discernimento, atenção e prudência, porque a compreendemos como algo muito maior que nós mesmos: é um instrumento de comunicação e integração para a sociedade, um legado e sempre um projeto em desenvolvimento, nunca estanque, condutor dos melhores valores.

Vale salientar que entramos nessa parada, depois de passarmos pelo sofrimento mais doloroso que a vida nos acometeu, que foi a morte do meu pai, Salomão Gadelha. A rádio sacrificou vários momentos de nossa juventude, mas nos deu (e dá) a imensa felicidade de poder contribuir, diariamente, com a informação que é levada à população do Município de Sousa e região. 

O tempo passou e o nosso compromisso continua ainda maior. Por isso, é que os recentes ataques que nos foram desferidos, machucam, por serem não só injustos, mas absolutamente mentirosos. A Rádio Líder tem uma história conhecida na cidade e todos sabem que sempre praticamos um jornalismo inclusivo e democrático. Apesar de nossa militância política, nunca houve achaques crueis a adversários, manipulação dos fatos e da notícia, como vemos em outros meios de comunicação, porque toda crítica que fazemos é sempre fundamentada, respeitosa e, acima de tudo, aberta ao contraditório. Isso não é princípio jornalístico, é princípio democrático.

É importante lembrar que, no início da gestão, o programa Cidade Notícia foi um dos primeiros a abrir as portas ao prefeito. Em meio ao conflito que tivemos com a direção municipal do PT, o ex-presidente municipal sempre se utilizou da emissora para expor posicionamentos, inclusive, quando agrediu ferozmente nossa família. Nunca foi negado a nenhum político, de qualquer matiz ideológica da cidade, o acesso livre para expor seus posicionamentos, vereadores, lideranças, deputados, enfim. A situação, no entanto, afigura-se, agora, de maneira bastante diversa, a pedir uma solução mais firme.

Sabemos como a mídia funciona em Sousa, na Paraíba, no Brasil e no mundo. Infelizmente, parte significativa dos jornalistas e dos meios de comunicação estão dispostos a tomar posições que não são a que realmente abraçam, em troca do vil metal. Isso nunca foi feito na Rádio Líder. A emissora sempre contou com um editorial e com uma visão política no sentido de retratar os eventos de forma transparente, nunca censurou nenhum funcionário ou colaborador e sempre abriu seu espaço para todos que quisessem nela expor suas opiniões, ainda que isso pudesse lhe causar danos, porque, infelizmente, o Judiciário ainda tem um sistema de censura que impõe às emissoras responsabilidade pelas falas até mesmo de seus ouvintes que venham a participar de algum programa. Isto é censura. Políticos que processam jornalistas por, simplesmente, dizerem aquilo que eles não querem escutar, praticam censura, assim como o fazem aqueles que, usando de seu poder político e econômico, pretendem render a imprensa, para que só seja divulgado aquilo que lhes interessa. Isto é, verdadeiramente, censura.

Quando dizemos que nosso compromisso com o bom jornalismo se tornou ainda mais forte, é porque visualizamos uma constante mudança no país em direção a um Estado ainda mais policialesco e censor, em que pese os avanços trazidos desde a Constituição de 1988. Vemos reaparecer vários sintomas de comportamentos prenhes de autoritarismo, homofobia, preconceito racial e machismo. Um excelente parlamentar, defensor das minorias, terminou por se auto exilar em razão de estar a sofrer inúmeras ameaças. Isso, aparentemente, é só o começo. Em Sousa, não é diferente. Funcionários são demitidos por falar o que pensam e o gestor, embora se diga de esquerda, é igualmente imbuído de preconceitos. Também processa jornalistas que contam a verdade e, muito provavelmente, preferiria um governo sem jornais, porque até mesmo suas redes sociais são direcionadas para receber comentários apenas favoráveis à sua gestão. Isto é censura.

Agora, quando a Rádio Líder se posiciona com uma linha editorial clara e definida, por entender que há valores inegociáveis, como dignidade da pessoa humana, pacificação dos comportamentos, respeito à mulher, à boa gestão, à moralidade e impessoalidade, e se coloca como oposição à atual gestão municipal, é acusada de praticar censura. A inversão de valores é curiosa e perversa, a dar a impressão de que, talvez, fosse melhor agir na surdina, não informar, claramente, sobre ser oposição ou situação, concordar ou discordar, como foi divulgado.

É bem provável que este seja o nosso grande diferencial, porque jamais estivemos – e nem estaremos - numa linha tênue entre o certo e o errado, o moral e o imoral, o probo e o improbo. Isto nada tem a ver com censura, mas com posicionamento, envergadura, senso ético e o comprometimento que temos na condição de formadores de opinião. As informações continuarão sendo divulgadas, assim como os atos de gestão do Prefeito, porque sempre agimos dessa forma. Jamais ficou definido que é obrigação dos nossos funcionários e colaboradores promover oposição irrestrita – renove-se, o que ficou estabelecido foi uma linha editorial de oposição, o que não significa, em absoluto, que elogios não possam ser feitos, que resultados positivos não serão divulgados, além de, evidentemente, toda sorte de informação de interesse público.

Porém, agora, como veículo de comunicação, como imprensa transparente, decidimos tornar o nosso pensamento ainda mais evidente, porque não se posicionar é o mesmo que ficar do lado do opressor. A emissora tem uma concepção filosófica absolutamente diversa do governo municipal: não compartilhamos dos mesmos valores, especialmente no que tange ao tratamento singular que cada ser humano merece receber. Temos experiência jornalística suficiente para saber que as coletivas de imprensa patrocinadas pela prefeitura de Sousa não são senão autopromoção do gestor. Constrangimento, ao contrário do está sendo retratado alhures, é participar de situações como essas coletivas, à revelia de tudo o que está acontecendo e que aconteceu. Constrangimento é tomar o certo pelo duvidoso e, pior ainda, pelo errado, pelo nitidamente errado, e aceitar como normais determinados comportamentos que, inconfundivelmente, são próprios da crueldade.

O jornalismo não é inimigo de ninguém – essa frase foi publicada pelo editorial do “The Boston Globe”, que faz contundente oposição à Donald Trump. Oposição declarada, como é do feitio do bom jornalismo. Quando algumas pessoas entendem que determinado tipo de jornalismo é inimigo, é porque o veículo está fazendo o trabalho de forma correta, porque, certamente, está a dizer aquilo que precisa ser dito, aquilo que alguém não quer escutar, porque se trata de nada menos que a verdade. E, não se enganem, há um tipo de jornalismo que tenta, diuturnamente, sufocar a verdade.

Temos conosco que só podemos fazer a diferença se formos fieis a nós mesmos. Isso implica graves consequências, mas consequências com as quais estamos dispostos a arcar. Nada neste mundo nos fará mudar de ideia em relação a este governo, a esta pessoa que hoje, por uma infelicidade das conjunturas, fez-se prefeito, exceto se vocês provarem que nossa posição está errada, que não se trata de um agressor de mulheres, de alguém sem compromisso com a boa política e boa gestão e, sobretudo, compromisso com a verdade. De alguém que não maquia a falta de medicamentos, a péssima qualidade de ensino, com pavimentações feitas com recursos de outras pessoas, sem dar a César o que é de César, sem reconhecer o mérito alheio.

Não, a emissora não irá a coletivas de imprensa, porque elas são, comprovadamente, feitas com a intenção de desviar a atenção do que realmente importa, nas quais só há a presença de aliados e onde já há um veredicto estabelecido sobre o que será dito, com o pedido do endosso. Não são entrevistas, mas um verdadeiro palanque eleitoral. Isto não significa, repita-se, que o que eventualmente há de bom deixará de ser dito, reproduzido, informado – conhecemos os limites da dissidência, eles estão amparados no que é verdade. Sabemos de nossa responsabilidade social com a população, do nosso dever de transparência e de, efetivamente, noticiar. A decisão de não participar dos mencionados eventos, significa nosso compromisso irrestrito com a ideia de que funcionários públicos não podem ser perseguidos, a saúde deve ser atendida (e bem atendida), os órgãos de controle merecem ser respeitados, assim como o Poder Judiciário, o governo deve inovar, e não apenas administrar, e, sobretudo, que um gestor não pode ser gestor se, antes de tudo, não for um bom ser humano, e um bom ser humano não oprime, não persegue, não agride mulheres e não falta com a verdade.

Portanto, por tudo isso, é que nos posicionamos, de forma clara, sem dispensar o contraditório, o diálogo e a troca de informações. Não nos meçam pela régua de vocês. Preferimos fazer as coisas corretas e às claras a não poder conseguir dormir à noite com os fantasmas da desonestidade, da mentira, do engodo, da maquiagem. Na nossa visão, dizemos e repetimos: moralidade na vida pública não é discurso, é hábito! É prática, antes de tudo, como ser humano, como indivíduo.

Acontece que está cada vez mais difícil fazer jornalismo e política em Sousa, com uma boa parte da sociedade que teima em acreditar num covil de enganadores. A pequenez é a tônica do noticiário nobre tido como "sério" como das rodas de bares mais casuais. O debate é raso e leviano, e mais vale a polêmica do que o respeito às pessoas e à verdade.

Como disse Ortega y Gasset, vivemos numa tal época que seria um erro a monotonia dos dias iguais. Em datas como essas, um povo demonstra se efetivamente tem, ou não, condições para sê-lo em sua plenitude, ou se é uma dessas raças que tombam na armadura, incapazes de aceitar, com firmeza e serenidade, o terreno que o destino lhes põe à frente. Conquanto esgotados, continuamos em movimento, fieis a nós mesmos e às nossas crenças, jornada a jornada, noticiário a noticiário, decidindo mostrar os acontecimentos como eles são, e não como querem que apareçam, com suas angústias e temores, sem confraternizar com agressores e conservadores (porque eles mostram, claramente, que não há nada a ser conservado nas coisas como elas estão) mas com muita esperança também.

Myriam e Lafayette Gadelha

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