
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (29), a Operação Zona de Influência, que investiga uma suposta negociação de apoio político-eleitoral entre agentes políticos e integrantes de uma organização criminosa com atuação em comunidades de João Pessoa, na Paraíba.
Entre os alvos da operação estão o deputado estadual Caio Roberto (MDB) e o secretário-chefe do Procon de João Pessoa, Júnior Pires. As informações foram confirmadas por veículos que acompanham a investigação.
Ao todo, foram expedidos sete mandados de busca e apreensão pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Durante as diligências, os policiais apreenderam R$ 220 mil em espécie. A Justiça Eleitoral também determinou o afastamento cautelar de Júnior Pires por 90 dias.
Segundo a investigação, integrantes do grupo criminoso teriam utilizado o controle territorial exercido sobre determinadas comunidades para negociar apoio político e autorizar a entrada de candidatos para a realização de atos de campanha.
Em contrapartida, estão sendo apurados possíveis pagamentos a lideranças criminosas, o custeio de despesas de um centro comunitário e tratativas relacionadas à oferta de cargos e empregos na administração pública, além de outros possíveis benefícios.
A investigação apura, em tese, crimes eleitorais, organização criminosa, lavagem de dinheiro, domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado. A PF busca aprofundar os fatos e individualizar a eventual participação de cada investigado.
Um dos principais resultados da operação foi a apreensão de R$ 220 mil em dinheiro vivo. Até o momento, as informações divulgadas não estabelecem, de forma conclusiva, a origem da quantia ou eventual vínculo comprovado entre o dinheiro e alguma candidatura.
O material apreendido deverá ser analisado no decorrer da investigação.

A Justiça Eleitoral determinou o afastamento cautelar de Júnior Pires do cargo de secretário-chefe do Procon de João Pessoa pelo período de 90 dias.
A Prefeitura de João Pessoa informou que ainda não havia sido oficialmente notificada sobre a decisão judicial e declarou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, além de reafirmar confiança na Justiça e no devido processo legal.
A operação ocorre durante o período eleitoral e a poucos dias do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro.
Até o momento, a investigação permanece em andamento e a inclusão dos nomes entre os alvos das medidas judiciais não representa condenação ou comprovação definitiva de prática criminosa.