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Marcondes Gadelha alerta para crise no STF e diz que conflitos entre ministros ameaçam credibilidade das instituições

Na avaliação do ex-parlamentar, a crise ultrapassa os limites do Judiciário e pode atingir também os Poderes Legislativo e Executivo.

Por: Redação Fonte: Da Redação do Debate Paraíba
11/09/2026 às 10h28
Marcondes Gadelha alerta para crise no STF e diz que conflitos entre ministros ameaçam credibilidade das instituições
Na avaliação do ex-parlamentar, a crise ultrapassa os limites do Judiciário e pode atingir também os Poderes Legislativo e Executivo. (Foto: Debate Paraíba).

O ex-senador e ex-deputado federal Marcondes Gadelha demonstrou preocupação com os recentes conflitos entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e avaliou que os desentendimentos em torno de decisões e investigações podem gerar consequências para o cenário político e institucional brasileiro.

Em declaração ao colunista, Gadelha classificou o momento como uma “crise sem precedentes”, marcada, segundo ele, por divergências de interpretação em inquéritos relacionados a casos de grande repercussão, citando como exemplo as investigações envolvendo o Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro.

Na avaliação do ex-parlamentar, a crise ultrapassa os limites do Judiciário e pode atingir também os Poderes Legislativo e Executivo. Para ele, o cenário se torna ainda mais delicado por ocorrer durante um processo eleitoral, podendo aumentar a instabilidade política e ampliar a desconfiança da população em relação às instituições.

Gadelha também criticou o protagonismo assumido pelo Supremo nos últimos anos. Segundo ele, a crescente participação da Corte em questões de grande impacto político e institucional teria criado, entre alguns ministros, uma “sensação de onipotência”, além de estimular disputas por espaços e protagonismo.

Comparação com a ditadura militar

Ao analisar o atual momento político, Marcondes Gadelha recorreu à própria trajetória de oposição durante a ditadura militar. Ele integrou o chamado “grupo autêntico” do MDB, formado por parlamentares que adotavam uma postura mais combativa contra o regime.

Para Gadelha, a dificuldade de construção de consensos dentro de uma Corte colegiada representa um ambiente prejudicial ao funcionamento das instituições democráticas e pode comprometer a credibilidade do Poder Judiciário.

O ex-parlamentar lembrou ainda que, durante os períodos mais duros da ditadura, setores democráticos recorriam ao Supremo em busca de proteção contra abusos cometidos pelo regime. Segundo ele, naquele contexto, o Judiciário era visto por muitos opositores como uma das poucas possibilidades de contenção dos excessos praticados pelo governo.

Fechamento do Congresso em 1977

Na análise histórica apresentada por Gadelha, ele também relembrou o episódio de 1977, quando o então presidente Ernesto Geisel determinou o fechamento temporário do Congresso Nacional por meio do chamado “Pacote de Abril”, após a oposição rejeitar uma proposta de reforma do Judiciário por falta de votos suficientes.

O Congresso permaneceu fechado por 14 dias, período em que o governo editou medidas que alteraram regras eleitorais e institucionais, incluindo mecanismos que favoreceram a sustentação política do regime.

Gadelha estabeleceu um paralelo entre aquele período e o cenário atual para reforçar a importância da preservação do equilíbrio entre os Poderes e do funcionamento das instituições democráticas.

A avaliação do ex-parlamentar ocorre em meio ao debate sobre os limites de atuação do Supremo Tribunal Federal e sobre o papel da Corte em decisões de forte repercussão política, temas que continuam provocando divergências entre diferentes setores da sociedade brasileira.

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