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Segurança eletrônica deve crescer 18,8% e chegar a R$ 19 bi

Setor movimentou mais de R$ 16 bilhões em 2025; câmeras e sensores passam a interpretar situações em tempo real, mas expansão aumenta desafios relacionados a erros e privacidade

Por: Redação Fonte: Agência Dino
25/08/2026 às 09h40
Segurança eletrônica deve crescer 18,8% e chegar a R$ 19 bi
Foto: Magnific

A Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese) divulgou, em relatório apresentado em junho de 2026, que o mercado brasileiro de segurança eletrônica deve crescer 18,8% no corrente ano, ultrapassando R$ 19 bilhões em faturamento, após ter registrado mais de R$ 16 bilhões em 2025. O estudo indica que a taxa de crescimento supera a de 16,2% observada em 2025, sinalizando aceleração do setor.

O incremento está associado à adoção crescente de sistemas de analytics que coletam, analisam e interpretam dados de câmeras, sensores e dispositivos biométricos. As plataformas de inteligência artificial já conseguem identificar situações como portas abertas fora do horário, tentativas repetidas de acesso a áreas restritas, permanência incomum em determinados locais ou alterações no fluxo de pessoas e veículos. Quando detectam tais anomalias, os sistemas geram alertas que são encaminhados aos operadores para verificação.

"O sistema pode detectar algo fora do padrão, mas isso não significa que tenha identificado uma ameaça. Uma anomalia é um pedido de atenção, não uma prova de que alguém está agindo de forma irregular", afirmou Fabiano Fernandes, CEO do Grupo Bravo TE, empresa especializada em segurança privada. Segundo o executivo, a principal mudança trazida pelo analytics é a transição da observação passiva para a geração de evidências que subsidiem a gestão de riscos.

A partir das informações fornecidas pelos sistemas, condomínios e empresas podem revisar aspectos como iluminação, cobertura das câmeras, rotas de ronda e procedimentos de entrada. Contudo, a ampliação da capacidade de monitoramento pode gerar falsa sensação de controle. Imagens de baixa qualidade, equipamentos desatualizados, falhas de conectividade ou regras de detecção mal configuradas podem gerar alertas falsos ou deixar de identificar incidentes relevantes.

A expansão do monitoramento inteligente também eleva a necessidade de políticas claras sobre acesso às imagens, tempo de armazenamento e condições de compartilhamento. O cuidado se intensifica quando são utilizados dados biométricos ou reconhecimento facial. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) classifica essas informações como dados pessoais sensíveis e as inclui entre as prioridades de sua agenda regulatória. As organizações devem, portanto, limitar a coleta ao estritamente necessário, informar a finalidade do monitoramento e impedir a reutilização dos registros para fins diferentes daqueles originalmente justificados.

Além de automatizar tarefas repetitivas, a inteligência artificial aumenta a demanda por profissionais capacitados para interpretar alertas e reconhecer as limitações tecnológicas. A tendência aponta para operadores que deixem de observar passivamente múltiplas telas e se concentrem nas ocorrências previamente selecionadas pelos algoritmos, exigindo competências em análise de risco, proteção de dados e protocolos de resposta.

"O ganho não está em retirar pessoas da decisão, mas em permitir que elas recebam informações mais organizadas e tenham melhores condições para agir", concluiu o diretor do Grupo Bravo TE. O especialista ressalta que a segurança inteligente deve reduzir o tempo de resposta sem eliminar o julgamento humano, equilibrando automação e responsabilidade profissional.

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