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Ataques cibernéticos baseados em IA crescem 89% em um ano

Levantamento internacional sobre o cenário de ameaças digitais aponta aumento expressivo no uso de inteligência artificial por criminosos, além de redução acentuada no tempo de resposta das defesas corporativas.

Por: Redação Fonte: Agência Dino
24/08/2026 às 17h04
Ataques cibernéticos baseados em IA crescem 89% em um ano
Tianyi Ma

Um levantamento internacional sobre o cenário de ameaças cibernéticas, divulgado em fevereiro deste ano, mostrou que os ataques baseados em inteligência artificial cresceram 89% em 2025 na comparação com o ano anterior. O mesmo estudo, que analisou o comportamento de mais de 280 grupos de adversários ao redor do mundo, identificou que o tempo médio entre o acesso inicial de um invasor a um sistema e sua movimentação lateral dentro da rede caiu para 29 minutos, uma aceleração de 65% frente ao período anterior. O caso mais rápido registrado durou apenas 27 segundos.

De acordo com o relatório, divulgado pela empresa de cibersegurança CrowdStrike, 82% das detecções realizadas em 2025 não envolveram nenhum tipo de malware tradicional. Nesses casos, os invasores utilizaram credenciais válidas, ferramentas administrativas nativas e softwares de acesso remoto legítimos para se infiltrar nas redes corporativas sem serem identificados por sistemas de segurança baseados em assinatura.

O levantamento também identificou que, em mais de 90 organizações, agentes maliciosos injetaram comandos fraudulentos em ferramentas de inteligência artificial generativa utilizadas internamente pelas próprias empresas, com o objetivo de gerar instruções nocivas e extrair dados sigilosos. Outro dado do estudo mostra que um dos modelos de linguagem mais populares do mercado foi mencionado em fóruns criminosos 550% mais do que qualquer outro, o que indica a familiaridade crescente dos agressores com ferramentas de inteligência artificial disponíveis publicamente.

Sobre esse cenário, Caio Abade, especialista em cibersegurança e porta-voz da Betta Cyber, afirma que a aceleração identificada no levantamento reflete uma mudança estrutural na forma como as ameaças digitais operam. "Não se trata mais de esperar por uma falha manual do invasor. A inteligência artificial elevou o nível dos agentes menos sofisticados e ampliou a capacidade dos mais avançados, permitindo ataques mais rápidos e discretos", diz Abade.

O mesmo levantamento detalha que 42% das vulnerabilidades exploradas em 2025 foram utilizadas antes mesmo de sua divulgação pública, o que caracteriza o uso de falhas zero-day para obtenção de acesso inicial, execução remota de código e elevação de privilégios. Já as investidas contra ambientes de nuvem cresceram 37% no total, com um avanço de 266% nos casos ligados a agentes estatais voltados à obtenção de inteligência.

Para Abade, o crescimento das invasões que exploram identidades e ambientes de nuvem exige monitoramento contínuo por parte das empresas. "O uso de múltiplos fatores de autenticação, a correlação entre diferentes ambientes de segurança e a atualização constante de sistemas seguem sendo medidas essenciais diante de adversários que atuam em minutos, não mais em dias", complementa o especialista.

O tema deve ganhar ainda mais destaque durante o Fal.Con 2026, conferência internacional de cibersegurança marcada para o período de 31 de agosto a 3 de setembro, no Mandalay Bay, em Las Vegas, que reunirá especialistas do setor para debater estratégias de defesa diante da chamada era da inteligência artificial agêntica. Para Caio Abade, encontros como esse reforçam a importância de compartilhar dados atualizados entre empresas e pesquisadores. "Quanto mais rápido o setor compartilha informações sobre essas táticas, mais rápido as defesas conseguem se adaptar", avalia o especialista da Betta Cyber.

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