
Um empresário sousense, que atua no ramo de coleta de lixo e serviços, está entre os alvos da Operação Purgatório, deflagrada na manhã desta quinta-feira (20) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e pela Polícia Civil da Paraíba. A investigação apura uma suposta organização criminosa que teria causado um prejuízo de aproximadamente R$ 1,99 milhão aos cofres públicos de Caaporã, no Litoral Sul do Estado.
A operação resultou no afastamento cautelar do prefeito de Caaporã, Chico Nazário (União), além do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Urbanos, Severino Pereira de Lima Neto, e da agente de contratações da Prefeitura, Fernanda Ellen da Silva Gomes. As medidas têm prazo inicial de 180 dias, podendo ser modificadas por decisão judicial.
Entre os investigados está o empresário sousense Francisco Nogueira de Barros, mais porpulamente conhecido por Cacá de Zé Barros, apontado na investigação como pai de Gabriel Gomes Nogueira e como responsável de fato pela empresa GN Locações e Serviços LTDA.
A presença do empresário entre os alvos da operação ajuda a explicar uma situação inusitada registrada durante a madrugada desta quinta-feira em Sousa. Segundo informações apuradas pelo Portal Debate Paraíba, o empresário havia acabado de chegar à cidade, vindo de João Pessoa, e desembarcou na rodoviária. De lá, teria solicitado uma corrida de mototáxi até sua residência, localizada no bairro Alto Capanema.
Ainda conforme o relato, ao se aproximar da rua onde mora, ele teria percebido a presença de policiais na porta do imóvel, que cumpriam diligências relacionadas à Operação Purgatório. Diante da situação, o empresário teria pedido ao mototaxista que mudasse a rota e não seguisse até a residência.
Além dos afastamentos, a Justiça determinou o sequestro de ativos financeiros, veículos e imóveis pertencentes aos 12 investigados. A medida está limitada ao valor de R$ 1.999.205,06, quantia apontada pela investigação como correspondente ao suposto dano causado ao erário municipal.
A operação investiga possíveis irregularidades envolvendo contratos e serviços relacionados à coleta de resíduos e à estrutura da administração pública de Caaporã. As suspeitas ainda serão apuradas no decorrer da investigação e eventuais responsabilidades deverão ser definidas pela Justiça.
Com o afastamento de Chico Nazário, um documento já foi encaminhado à Câmara Municipal de Caaporã solicitando a posse do vice-prefeito Carlos Monteiro no comando interino do município.
A expectativa é de que o Legislativo convoque uma sessão extraordinária para formalizar a posse.
Por determinação judicial, os investigados também estão proibidos de acessar determinados prédios públicos, entre eles a sede da Câmara Municipal de Caaporã.